Da Redação
O prolongamento do plantio de soja em Mato Grosso e a distribuição irregular de chuvas nas principais regiões produtoras indicam cenário mais complexo para a temporada. Os reflexos diretos atingem o milho segunda safra, com produtores enfrentando lavouras com desenvolvimento atrasado, falhas no estande e dilemas sobre replantio diante dos altos custos.
Semeadura estendida pressiona cronograma
O estado encerrou o plantio de soja em uma das operações mais extensas dos últimos anos. Conforme Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, algumas propriedades consumiram mais de quarenta e cinco dias para concluir a semeadura. Ele caracteriza o processo como desafiador, com andamento acelerado no início e atraso no final.
Embora a semeadura tenha sido finalizada, os volumes pluviométricos permanecem abaixo da média em grande parte do estado. Certos locais registraram menos de quatro milímetros diários nos últimos trinta dias. Essa condição elevou o estresse nas plantas e o porte das lavouras ficou comprometido.
As temperaturas extremas em novembro reforçaram os problemas, intensificando a necessidade de água e ampliando riscos de perdas produtivas. Beber destaca que o Imea projetava inicialmente sessenta sacas, mas estimativas atuais apontam para patamares inferiores a cinquenta e oito sacas por hectare.
Impacto econômico preocupa produtores
A redução de potencial produtivo repercutirá diretamente na rentabilidade das propriedades, conforme avaliação do presidente da Aprosoja. O produtor necessita de mais sacas para honrar seus compromissos financeiros e tecnológicos ao longo da safra.
Diante de lavouras mal distribuídas e falhas localizadas, numerosos agricultores enfrentam decisão entre replantar ou manter áreas comprometidas. Replantar consome entre seis e dez sacas por hectare, considerando sementes, dessecação, tecnologia e tratamento fitossanitário. Paralelamente, os insumos apresentam custos crescentes.
Janela do milho já se fecha em regiões críticas
O avanço tardio da soja pressiona o calendário do milho segunda safra em diversas localidades. Em Paranatinga, a janela de plantio está praticamente encerrada, segundo Carlinhos Rodrigues, presidente do Sindicato Rural local.
Rodrigues aponta ainda que produtores enfrentam restrições de crédito e custos elevados, situação que pode deixar áreas sem cultivo. Em Canarana, o diretor Camilo Ramos reforça que não existe mais espaço seguro para o milho segunda safra.
Ramos sublinha que o termo “safrinha” não corresponde mais à importância econômica atual da cultura. O município deve plantar aproximadamente cento e vinte mil hectares de milho nesta temporada, conforme dados do Sindicato Rural.
Risco aumenta para plantios tardios
Em Água Boa, as dificuldades enfrentadas pelos produtores amplificam a cautela em relação ao milho. Geraldo Antônio Delai, presidente do Sindicato Rural, prevê redução no ritmo de plantio e até devolução de pacotes tecnológicos pelas propriedades.
Delai afirma que os preços atuais e as condições climáticas geram obstáculos significativos ao plantio de milho segunda safra. Segundo ele, produtores já devolveram pacotes de sementes para revendedoras, refletindo a pressão financeira enfrentada.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária projeta crescimento de um vírgula oitenta e três por cento na área de milho segunda safra, totalizando sete vírgula trinta e nove milhões de hectares. Contudo, a produtividade estimada caiu para cento e dezesseis vírgula sessenta e uma sacas por hectare.
Produtor segue plantando apesar dos riscos
Lucas Costa Beber observa que o agricultor tende a semear mesmo em condições adversas, pois a maioria das sementes foi adquirida previamente. Devolução dessa quantidade torna-se operacionalmente difícil para o produtor individual.
A Aprosoja Mato Grosso estima que os sessenta por cento finais do plantio enfrentarão estar fora da janela ideal. Os últimos quarenta por cento podem sofrer atrasos mais graves, comprometendo significativamente a produção de milho segunda safra.
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