Da Redação
O custeio da safra de soja em Mato Grosso para o ciclo 2025/26 atingiu R$ 54,39 bilhões. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e o Senar-MT divulgaram a análise nesta semana. Consequentemente, os números revelam um cenário de custos elevados e financiamento restrito. Além disso, a área plantada estimada é de 13,01 milhões de hectares, um avanço de 1,67%.
O sistema financeiro se consolidou como a principal fonte de recursos. Ele responde por 35,42% do total do custeio da safra de soja. Na sequência, as multinacionais e tradings aparecem com 30,74% de participação. Portanto, o produtor enfrenta um ambiente de crédito mais caro e seletivo.
Sistema financeiro amplia participação no custeio da lavoura
O levantamento aponta um aumento de 5,04 pontos percentuais na fatia do sistema financeiro. Esse avanço ocorre por ajustes metodológicos e pela migração do produtor. Isso porque os recursos públicos federais recuaram para apenas 5,07% do total. Assim, o custeio da safra de soja ficou mais dependente de bancos privados.
O superintendente do Imea, Cleyton Gauer, explicou a mudança. Segundo ele, o crédito ficou mais caro nesta temporada. No entanto, mesmo esses recursos foram insuficientes para cobrir toda a necessidade. Dessa forma, os produtores precisaram usar mais capital próprio.
Participação das revendas de insumos recua drasticamente
A participação das revendas no financiamento caiu 6,20 pontos percentuais. Atualmente, elas respondem por apenas 5,25% do custeio da safra de soja. Cleyton Gauer atribuiu a retração à fragilidade financeira do setor. Ele citou recuperações judiciais e a recessão de crédito que também atinge essas empresas.
Com isso, as multinacionais e tradings ganharam espaço, chegando a 30,74%. Esses agentes têm se destacado pela robustez financeira e gestão de risco. Logo, operações estruturadas como o barter se tornaram mais comuns.
Custos de produção por hectare sobem 5,32% na comparação
O custo operacional efetivo por hectare teve alta generalizada. Os fertilizantes subiram 9,36% e os defensivos agrícolas, 4,73%. Já os serviços terceirizados tiveram a maior elevação, de 16,22%. Por outro lado, as sementes foram o único item com redução de preço, caindo 10,47%.
Diante desse cenário, os recursos próprios dos produtores subiram para 23,51%. Cleyton Gauer relacionou o aumento à necessidade de mais caixa. Ele afirmou que as margens vêm sendo “espremidas” nas últimas temporadas. Portanto, a expectativa para a próxima safra é de uma das menores margens em cinco anos.
Juros elevados e inadimplência preocupam para os próximos ciclos
O superintendente do Imea destacou os desafios persistentes. O grande obstáculo para a próxima temporada continua sendo a taxa de juros elevada. Além disso, há dificuldade de acesso ao crédito e maior exigência de garantias. O nível de inadimplência também preocupa os fornecedores de recursos.
O estudo serve como um alerta para toda a cadeia produtiva. O recado é de um custeio da safra de soja mais oneroso e complexo. Finalmente, a competitividade do estado depende da superação desses desafios financeiros.
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