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Radar 364 > Educação > Especialista defende acompanhamento de trajetória de cotistas após universidade
Educação

Especialista defende acompanhamento de trajetória de cotistas após universidade

Por Pablo Publicados 6 de dezembro de 2025
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4 Min. de Leitura
pesquisador-da-uerj-defende-monitoramento-da trajetoria-de-ex-cotistas
Pesquisador da Uerj defende monitoramento da trajetória de ex-cotistas
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Da Redação

Conteúdo
Critério de renda limita acesso à pós-graduação na UerjPesquisa documenta sub-representação de negros e indígenas em cursos de pós-graduaçãoCotistas demandam elevação do limite de renda para mestrado e doutoradoMonitoramento permanente de egressos é essencial para políticas afirmativas

A constituição de grupos de trabalho para acompanhar egressos das cotas raciais representa um avanço significativo. O sociólogo Luiz Augusto Campos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, avaliou positivamente a iniciativa. Campos coordena publicação que examina vinte anos de políticas afirmativas no ensino superior brasileiro. Ele considera a Lei de Cotas um instrumento intermediário para reduzir desigualdades.

Para o pesquisador, sem resultados comprovados no mercado de trabalho, a política não atinge seus objetivos. A Uerj lidera esse processo ao organizar grupos com ex-alunos beneficiários das cotas. Somente monitorando a carreira profissional desses egressos é possível avaliar o verdadeiro impacto das ações afirmativas.

Critério de renda limita acesso à pós-graduação na Uerj

Duas décadas após a implementação pioneira, surge necessidade de atualização normativa. A legislação estadual que regulamenta cotas na Uerj combina critério racial com aspecto socioeconômico. Candidatos devem comprovar renda familiar bruta mensal per capita máxima de R$ 2.277. Especialistas consideram esse limite insuficiente, particularmente para programas de mestrado e doutorado.

Campos destaca que as cotas na pós-graduação da instituição não produziram efeitos esperados. Um estudante classificado como carente raramente consegue ingressar em mestrado. Caso obtenha bolsa de pesquisa, automaticamente deixa de atender o critério financeiro estabelecido. A regra atual gera paradoxo que impede o acesso da população-alvo.

Pesquisa documenta sub-representação de negros e indígenas em cursos de pós-graduação

Estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos demonstra a gravidade do cenário nacional. Pessoas pretas constituem apenas 4,1% dos mestres e 3,4% dos doutores em atividade. Pardos representam 16,7% e 14,9% dessas categorias, respectivamente. Indígenas correspondem a percentual ainda menor, apenas 0,23% dos titulados em mestrado.

Entre 1996 e 2021, pessoas brancas obtiveram a maioria esmagadora dos títulos acadêmicos. Esses indicadores demonstram urgência em reformular critérios de admissão à pós-graduação. Os grupos de trabalho com egressos também podem servir como ferramenta para pressionar essa transformação necessária.

Cotistas demandam elevação do limite de renda para mestrado e doutorado

Em novembro, beneficiários das cotas reuniram-se na Uerj para compartilhar experiências profissionais. Eles solicitaram reformulação do corte socioeconômico vigente. O objetivo central é ampliar representação de pretos e pardos nos programas de pós-graduação. A legislação estadual atual, promulgada em 2018, permanecerá inalterada até 2028.

Campos defende medidas imediatas pela instituição. As universidades federais e estaduais possuem autonomia para ajustar restrições nos editais de seleção. Processos judiciais relacionados a acesso em mestrado e doutorado representam volume considerável. Uma regulamentação menos restritiva diminuiria riscos legais para as instituições.

Monitoramento permanente de egressos é essencial para políticas afirmativas

O especialista propõe criação de grupos de trabalho permanentes nas universidades. Essas estruturas coletarão dados abrangentes sobre emprego, remuneração e mobilidade social dos egressos. Informações sistemáticas permitirão calibragem contínua e aprimoramento das políticas públicas implementadas.

O sociólogo conclui com reflexão crítica sobre o futuro das cotas. As políticas afirmativas transformaram significativamente o corpo discente universitário brasileiro. O verdadeiro desafio consiste em consolidar essa inclusão através do sucesso profissional. A avaliação deve transcender o ingresso na graduação e abranger toda trajetória acadêmica e laboral.

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