Da Redação
Autoridades iranianas prenderam dois organizadores de maratona realizada na Ilha de Kish. O evento contou com aproximadamente cinco mil participantes, incluindo mulheres que correram sem o lenço hijab obrigatório. A competição reacendeu discussões sobre as normas religiosas de vestimenta vigentes no país.
O órgão judicial Mizan, vinculado ao Ministério Público iraniano, informou que os responsáveis ignoraram alertas prévios. As autoridades consideraram que a presença de mulheres sem hijab na prova violou normas de “decência pública” estabelecidas pela legislação local.
Detalhes da competição na Ilha de Kish
A maratona ocorreu na sexta-feira, cinco de janeiro, na Ilha de Kish, localizada no Golfo Pérsico em zona de livre comércio. O evento apresentava provas separadas para homens e mulheres e atraiu milhares de competidores interessados na corrida.
Vídeos divulgados em redes sociais documentam corredoras cruzando a linha de chegada sem o véu que cobre cabeça e pescoço obrigatoriamente. A lei iraniana exige esse acessório desde a Revolução Islâmica de mil novecentos e setenta e nove. As imagens geraram repercussão significativa e provocaram resposta imediata das autoridades judiciais.
Posicionamento da Justiça iraniana
O Mizan divulgou comunicado afirmando que havia alertado previamente os organizadores sobre cumprimento das regras religiosas. A autoridade considerou que o evento transcorreu de forma incompatível com os parâmetros estabelecidos pelo governo.
O Judiciário abriu processo criminal contra responsáveis pela organização e execução da competição. Conforme o órgão, as condutas se enquadram em violações relacionadas à moral e decência pública conforme previsto na legislação iraniana.
Contexto da zona de livre comércio
A Ilha de Kish situa-se em zona de livre comércio no Golfo Pérsico onde autoridades aplicam regulações de vestimenta com flexibilidade relativa. O governo busca atrair turistas para centros comerciais e praias através dessa abordagem mais tolerante.
Entretanto, a lei que torna obrigatório o uso do hijab permanece vigente em todo o território iraniano sem exceções. Eventos esportivos de grande visibilidade geram maior pressão de grupos conservadores e reações das autoridades governamentais. Simultaneamente, casos assim demonstram a determinação de inúmeras mulheres em questionar essas normas impostas.
Manifestações de ativistas sobre o evento
A jornalista e ativista de direitos das mulheres Masih Alinejad, residente nos Estados Unidos, comentou o episódio através de redes sociais. Alinejad relatou que a Federação Iraniana de Atletismo tentou impedir a maratona após muitas corredoras se recusarem a usar o véu obrigatório.
Segundo Alinejad, aproximadamente cinco mil mulheres recusaram o hijab obrigatório e participaram da corrida. Vídeos por ela compartilhados mostram dezenas de atletas na reta final sem o lenço islâmico exigido. Para a ativista, o episódio representa continuidade da resistência feminina diante de repressão mais rigorosa.
Alinejad afirmou em publicação posterior que enquanto a liderança reforça medidas de controle, as mulheres mantêm o enfrentamento constante. Ela citou declaração de participante que teria afirmado que “o regime islâmico está cancelado” em crítica direta às imposições governamentais.
Marco legal e sistema de punições
Desde mil novecentos e setenta e nove, o Irã estabelece como obrigatório o uso do hijab para mulheres em espaços públicos e coletivos. O descumprimento da norma resulta em penas que incluem prisão, multas monetárias e restrições à liberdade como proibições de viagem.
A instituição conhecida como “polícia da moralidade” atua na fiscalização do comportamento e aparência em ruas, estabelecimentos comerciais e eventos públicos. A maratona com mulheres sem hijab representa novo capítulo do conflito entre legislação religiosa rígida e movimentos femininos que reivindicam autonomia corporal.
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