Da Redação
Com informações da Reuters, WSJ e Bloomberg News
Hassett vê espaço para novos cortes de juros nos EUA
O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, apontado como favorito para ser o próximo chair do Federal Reserve (Fed) em um eventual governo Donald Trump, afirmou que há “bastante espaço” para reduzir ainda mais a taxa básica de juros nos Estados Unidos.
A declaração foi feita nesta terça‑feira (9), durante participação no WSJ CEO Council, fórum organizado pelo Wall Street Journal. Segundo Hassett, o atual cenário econômico abre margem para cortes adicionais, embora isso dependa do comportamento da inflação.
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Crescimento com inteligência artificial e risco de superaquecimento
Hassett comparou o momento atual à fase de forte expansão dos anos 1990. Na avaliação dele, a economia dos EUA pode estar entrando em um período de “extrema transformação”, em grande parte impulsionado pela inteligência artificial (IA).
Para o assessor, a IA pode aumentar a produtividade e sustentar um ritmo mais forte de crescimento econômico sem necessariamente provocar superaquecimento. Por outro lado, ele ressaltou que esse diagnóstico pode mudar rapidamente caso a inflação volte a ganhar força.
“Se a inflação for a 4%, não dá para cortar juros”, diz assessor
Questionado sobre os limites para reduzir a taxa básica, Hassett foi direto. De acordo com um tuíte do repórter de Fed do Wall Street Journal, Nick Timiraos, o assessor afirmou que, se a inflação subir de 2,5% para 4%, não será possível falar em novos cortes de juros.
Em outras palavras, Hassett condiciona a defesa por juros mais baixos à manutenção da inflação sob controle. Se os preços acelerarem, a prioridade passa a ser a estabilidade, e não o afrouxamento monetário.
Independência do Fed e pressão de Trump por cortes
Hassett também foi questionado sobre um cenário de pressão política. Ele respondeu o que faria se Donald Trump pedisse cortes de juros em um momento em que ele, como chair do Fed, considerasse a medida inadequada.
O assessor disse que se manteria fiel “ao meu julgamento, no qual acho que o presidente confia”, segundo a Bloomberg News. Assim, ele sinalizou que, ao menos em discurso, defenderia a independência técnica do banco central frente à Casa Branca.
Na segunda‑feira, porém, Trump declarou ao Politico que fará do apoio a cortes imediatos de juros um critério decisivo para escolher o novo chair do Fed. Hassett, alinhado às críticas do republicano, acusou o banco central de agir politicamente ao não reduzir mais a taxa de juros em decisões anteriores.
“Acho que a função mais importante do chair do Fed é analisar os dados econômicos e evitar fazer parte da política”, afirmou Hassett.
Fed inicia última reunião do ano com expectativa de novo corte
As declarações de Hassett ocorrem no momento em que o Federal Reserve realiza a última reunião de política monetária do ano. O encontro começou nesta terça‑feira e termina na quarta‑feira.
O mercado espera que o Fed anuncie novo corte de 0,25 ponto percentual, o terceiro deste ano, mas sinalize pouco espaço para afrouxamento adicional em 2026.
Dessa forma, o discurso de Hassett, que fala em “bastante espaço” para reduzir juros, contrasta com a leitura de parte dos dirigentes do banco central, mais cautelosos com a inflação futura e com a credibilidade da política monetária.
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