Da Redação
O debate sobre a situação de saúde de Jair Bolsonaro ganhou novo capítulo após divulgação de vídeo em que o ex-presidente aparece dormindo e soluçando. A gravação foi publicada nesta sexta-feira (12/12) pelo vereador Carlos Bolsonaro e apresentada como prova de necessidade de cuidados médicos contínuos, em regime de 24 horas por dia.
Segundo Carlos, o quadro clínico estaria ligado às sequelas da facada de 2018 e a problemas de saúde mais recentes. Bolsonaro enfrenta forte pressão por causa da situação jurídica que o mantém em custódia.
Como Carlos Bolsonaro descreve o estado de saúde do pai
No texto que acompanha o vídeo, Carlos Bolsonaro afirma que o pai sofre refluxo constante e risco de broncoaspiração, condição que, de acordo com ele, poderia levar à morte. Ele associa o quadro físico à pressão que o ex-presidente diz enfrentar, sobretudo após prisão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A publicação reforça a tese de que Bolsonaro precisa de monitoramento permanente e suporte especializado. Segundo o vereador, o refluxo durante o sono poderia provocar broncoaspiração, exigindo vigilância contínua. Ele cita a facada de 2018, atribuída a ex-filiado do PSOL, como origem de complicações.
Carlos declarou que não pretendia tornar a gravação pública, por considerá-la exposição dolorosa em momento de fragilidade. No entanto, decidiu divulgá-la diante das discussões sobre o estado clínico do pai e das decisões judiciais relacionadas.
A família destaca que o refluxo intenso, somado ao histórico de cirurgias abdominais, aumentaria o risco de complicações respiratórias. Nesse contexto, três pontos médicos ganharam destaque no debate:
- Refluxo gastroesofágico – retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, com queimação e possível inflamação crônica.
- Broncoaspiração – entrada de alimentos ou conteúdo gástrico nas vias respiratórias, podendo causar pneumonia e insuficiência respiratória.
- Monitoramento contínuo – vigilância clínica 24 horas, indicada em casos com risco de descompensação súbita.
A família usa esses elementos para defender que Bolsonaro não deveria permanecer sem acompanhamento intensivo, especialmente durante o sono.
Como a defesa de Bolsonaro tem atuado na Justiça
No centro da disputa judicial está um pedido da defesa para que Jair Bolsonaro seja submetido, com urgência, a uma cirurgia de hérnia inguinal. Os advogados solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes autorização para o procedimento, alegando necessidade imediata e mencionando problemas cardiovasculares atribuídos ao ex-presidente.
Moraes levantou dúvidas sobre os elementos apresentados. Ele questionou datas e conteúdo dos exames médicos encaminhados ao STF e determinou que a Polícia Federal (PF) realizasse uma perícia médica independente.
O laudo deverá embasar a decisão sobre dois pontos centrais:
- se Bolsonaro permanece preso na Superintendência da PF em Brasília;
- ou se terá o regime ajustado para viabilizar eventual procedimento cirúrgico e tratamentos fora da prisão.
Até o momento, a perícia seguia em andamento, à espera de conclusão.
Situação jurídica atual do ex-presidente
Além do debate médico, o caso está diretamente ligado à situação jurídica de Jair Bolsonaro. O ex-presidente está preso desde 22 de novembro, acusado de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A Justiça registrou o trânsito em julgado da ação penal nº 2.668 (núcleo 1), que resultou em pena de 27 anos e três meses de prisão.
Paralelamente, tramita no Congresso o Projeto de Lei da dosimetria, que pode alterar o tempo de cumprimento de pena em determinados casos. Se aprovado e aplicado ao processo de Bolsonaro, estimativas públicas apontam para possível redução da pena para cerca de dois anos e quatro meses.
Esse eventual recálculo poderia influenciar:
- o local de custódia;
- o regime de cumprimento da pena;
- e as condições para tratamentos cirúrgicos e médicos fora da unidade prisional.
Enquanto a perícia médica não é concluída e o PL não é votado, a defesa segue usando o quadro de saúde como argumento para tentar flexibilizar as condições da prisão.
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