Da Redação
A sonda MAVEN, em órbita marciana há mais de uma década, deixou de responder aos comandos da NASA no último sábado (6). A perda de comunicação ocorreu após a espaçonave passar pela região onde Marte bloqueia naturalmente o sinal terrestre. O contato deveria ter sido restabelecido ao fim da ocultação, mas isso não aconteceu.
Segundo a agência espacial americana, o episódio é classificado como anomalia inesperada. Os dados finais recebidos antes da perda indicavam operação normal, sem falhas aparentes em energia, orientação ou sistemas internos.
Investigação em andamento
Engenheiros da missão e da Deep Space Network analisam minuciosamente a telemetria disponível. Eles executam novas tentativas de escuta para entender o silêncio repentino da sonda. A MAVEN é um dos orbitadores mais estáveis ativos ao redor de Marte.
Quase uma semana após o incidente, a NASA afirma não ter evidências conclusivas sobre a causa. A sonda permanece na categoria oficial “anomalia sob investigação”. A perda de contato preocupa pela ciência conduzida e pelo papel retransmissor de dados para rovers na superfície.
Outras sondas podem assumir parte dessa função retransmissora de informações. A agência trabalha para recuperar a comunicação rapidamente. Até o momento, não há confirmação de restabelecimento do sinal ou comprometimento permanente da missão.
Observações recentes do cometa interestelar
Lançada em novembro de 2013, a MAVEN entrou na órbita marciana em setembro de 2014. A sigla significa “Evolução da Atmosfera e dos Voláteis de Marte” em inglês. A missão busca entender como a atmosfera marciana se transformou e por que escapou para o espaço.
Além de estudar Marte, a MAVEN foi escolhida pela NASA para redirecionar temporariamente seus instrumentos. O novo alvo foi o cometa interestelar 3I/ATLAS, visitante raro do Sistema Solar.
Captura de imagens em ultravioleta
Durante 10 dias, a partir de 27 de setembro, os instrumentos da MAVEN foram ajustados para capturar imagens do cometa. A câmera ultravioleta IUVS registrou fotos em diferentes comprimentos de onda e com filtros variados. Depois, a sonda produziu imagens de resolução ainda mais alta para rastrear o hidrogênio liberado pelo 3I/ATLAS.
Os dados permitem aos cientistas determinar quais moléculas estão presentes na nuvem gasosa do cometa. A distribuição desses elementos ao redor do núcleo revela informações cruciais sobre sua composição. Para pesquisadores que estudam objetos interestelares, cada medição é extremamente valiosa.
Proporção de hidrogênio e deutério
As observações permitiram estimar a proporção entre hidrogênio comum e deutério, pista importante sobre a origem do 3I/ATLAS. Essa informação revela o ambiente químico do qual o cometa se formou. Quando o objeto passou mais perto de Marte, canais ainda mais sensíveis do IUVS foram acionados.
Os equipamentos mapearam espécies como hidroxila e outros átomos na coma do cometa. Isso ampliou significativamente o alcance científico da campanha de observação. Os dados coletados representam uma chance inédita de examinar um visitante interestelar sob nova perspectiva.
Impacto científico da possível perda
A possível perda definitiva da MAVEN preocupa cientistas em todo o mundo. Além de estudar a atmosfera marciana e apoiar outras missões, a sonda demonstrou capacidade rara ao analisar objeto interestelar. Sem ela, dados essenciais seriam interrompidos.
Cada medida registrada pela MAVEN ajuda a reconstruir a trajetória e natureza do cometa. Os dados abrem novas possibilidades para entender como esses objetos se formam e circulam entre as estrelas. Uma lacuna importante seria criada na pesquisa planetária atual se a missão for perdida permanentemente.
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