Da Redação
Quase cinco anos após chegar à superfície marciana, o rover Perseverance da NASA mantém desempenho excepcional. Cientistas indicam que o veículo pode percorrer distância muito superior à atualmente registrada. A estimativa foi divulgada durante encontro da União Geofísica Americana na Louisiana.
Trajetória e capacidade do rover
O robô de seis rodas pode alcançar cerca de 100 quilômetros de deslocamento até encerramento da missão. Esse número marca marco importante na exploração espacial, pois nenhum outro veículo robótico percorreu distância tão grande em planeta distinto. O Perseverance possui tamanho semelhante ao de um automóvel convencional e foi concebido para enfrentar terrenos desafiadores.
A projeção coloca o rover no caminho para superar recorde atual de 45,16 quilômetros. Esse marca foi estabelecida pelo rover Opportunity, também da NASA, que explorou Marte por mais de 14 anos. A missão foi encerrada em 2018, após intensa tempestade de poeira comprometer sua fonte de energia solar.
Estado de conservação e capacidade operacional
Conforme Steve Lee, gerente adjunto do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA na Califórnia, o Perseverance está “em excelente estado”. Testes de engenharia recentes confirmaram que atuadores responsáveis por direcionar as rodas operam eficientemente por pelo menos 60 quilômetros adicionais.
Desde pouso na Cratera Jezero em 18 de fevereiro de 2021, o rover percorreu cerca de 40 quilômetros. Inicialmente havia sido certificado para rodar apenas 20 quilômetros ao longo de toda missão. A ampliação demonstra como projeto se beneficiou da experiência acumulada em missões precedentes.
Lições do rover Curiosity na engenharia do Perseverance
O rover Curiosity, lançado antes do Perseverance e ainda operacional, sofreu danos inesperados ao atravessar terrenos mais ásperos. Suas rodas acumularam amassados e perfurações. Com base nessas observações, engenheiros reforçaram design do Perseverance, aumentando diâmetro das rodas e duplicando quantidade de sulcos.
Segundo Lee, estratégia mostrou-se bastante eficaz. Até momento, rodas do Perseverance permanecem em ótimas condições, sem registros de furos ou rasgos. Isso oferece confiança à equipe para planejar trajetos mais longos e explorar regiões ainda pouco conhecidas do planeta.
A Cratera Jezero como local promissor
A Cratera Jezero, local de pouso, resulta de grande impacto ocorrido há cerca de 3,9 bilhões de anos. No passado distante, abrigou lago e delta de rio, tornando-se especialmente interessante para busca por sinais de vida microbiana antiga. O Perseverance já perfurou rochas, coletou amostras e subiu mais de 400 metros pela parede interna da cratera.
Durante trajetória, encontrou formações geológicas consideradas promissoras. Uma delas é rocha em forma de ponta de flecha, batizada de Cheyava Falls. Apresenta estruturas e assinaturas químicas que podem ter se formado por processos associados à vida microbiana, conforme estudo publicado em setembro na revista Nature.
Descobertas recentes na “Unidade Marginal”
Mais recentemente, artigo publicado na quarta-feira (17) na Science relata resultados da “Unidade Marginal” da cratera. Perseverance coletou amostras ricas no mineral olivina, que se forma em altas temperaturas no interior do planeta. Com o tempo, material foi exposto na superfície e interagiu com água e dióxido de carbono.
Conforme pesquisa, essas interações resultaram na formação de minerais carbonáticos. Guardam vestígios químicos de ambientes antigos e oferecem pistas importantes sobre evolução geológica de Marte. Indicam também possível existência de condições favoráveis à vida no passado.
Para Ken Williford, autor principal do estudo, presença conjunta de olivina e carbonatos foi decisiva. Esses minerais funcionam como indicadores da evolução do planeta e seu potencial biológico. Expectativa é encontrar materiais semelhantes em regiões além da borda da cratera.
Coleta de amostras e perspectivas futuras
Atualmente, Perseverance carrega seis tubos de amostra ainda não utilizados. Outros tubos já contêm material coletado, mas alguns não foram selados. Isso permite substituí-los caso surjam alvos mais interessantes. Flexibilidade é considerada essencial para aproveitar oportunidades científicas.
Nos próximos dias, rover deve chegar a área conhecida como Lac de Charmes, logo após borda da cratera. Conforme NASA, rochas dessa região parecem mais antigas e preservadas. Podem revelar informações ainda mais detalhadas sobre primeiros processos geológicos de Marte.
Programa de retorno de amostras e cronograma operacional
Apesar do entusiasmo com amostras coletadas, trazer esse material à Terra ainda é algo incerto. Programa de Retorno de Amostras de Marte enfrenta restrições econômicas e segue sem definição clara. Mesmo assim, equipe afirma que planos científicos de curto prazo não serão alterados.
O rover Perseverance está programado para seguir em missão pelo menos até 2028. Avaliações da NASA indicam que pode continuar operando até 2031. Principal limite é gerador nuclear que fornece energia, cuja potência diminui gradualmente. Segundo cientistas, “há muito trabalho a ser feito” enquanto rover continua explorando o Planeta Vermelho.
Radar364 – O Seu Portal de Notícias de Rondonópolis e Região.

