*Da Redação*
Raul Jungmann, ex-deputado federal e ex-ministro de Estado, faleceu neste domingo (18/1), em Brasília, aos 73 anos. A morte foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do qual era diretor-presidente desde 2022. Enfrentava câncer pancreático com internações recorrentes desde o final de 2025. Deixa dois filhos e uma neta.
O velório e a cremação ocorrerão em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos, também na capital federal. A instituição divulgará comunicado oficial sobre a perda do dirigente.
Trajetória política marcada por diferentes áreas
Nascido em Pernambuco, Jungmann construiu carreira em múltiplos setores: meio ambiente, segurança, políticas agrárias, defesa e mineração. Desde jovem militou politicamente, passando pelo Partido Comunista Brasileiro durante período de forte mobilização social.
Ao longo da vida, integrou MDB, PPS e PMDB, dialogando com setores de centro, centro-direita e grupos defensores da reforma estatal. Manteve presença constante nas estruturas políticas nacionais.
Atuação no Executivo federal em quatro ministérios
No governo Fernando Henrique Cardoso, comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias em momento de intensas disputas sobre reforma agrária. Posteriormente, em gestão Michel Temer, assumiu o Ministério da Defesa, articulando relações entre Forças Armadas e poder civil.
Em 2018, tornou-se primeiro ministro da Segurança Pública do Brasil, coordenando operações baseadas em decretos de Garantia da Lei e da Ordem. Presidiu também o Ibama, atuando em fiscalização ambiental antes de dirigir o Ibram em 2022.
Presença parlamentar com três mandatos na Câmara
Exerceu três mandatos como deputado federal por Pernambuco, eleito em 2002, reeleito em 2006 e retornando em 2015 até 2016. Também foi vereador do Recife em 2012, reforçando vínculo com política local.
Como parlamentar, destacou-se no controle de gastos públicos e combate a irregularidades. Foi vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, que investigou fraude em compra de ambulâncias com recursos federais.
Liderança em debates sobre armas e posicionamento político
Liderou a Frente Brasil Sem Armas no referendo de 2005, marcando posicionamento sobre segurança pública. Atuou na oposição ao governo Dilma Rousseff e defendeu o impeachment em 2016.
Essas atuações consolidaram sua presença em debates políticos centrais do período, influenciando decisões sobre temas estratégicos nacionais.
Controvérsias e investigações durante gestão ministerial
Jungmann foi alvo de inquérito por suspeitas de fraude em licitação, peculato e corrupção envolvendo contratos de publicidade durante sua gestão no Desenvolvimento Agrário. O valor estimado dos contratos questionados era aproximadamente R$ 33 milhões.
A Justiça Federal posteriormente arquivou o caso. As investigações marcaram período de questionamentos públicos sobre sua administração, tema que retornou em análises sobre sua carreira.
Últimos anos dedicados à mineração e enfrentamento da doença
Fora de cargos eletivos, concentrou-se em atuação institucional no Ibram, representando o setor mineral em debates regulatórios. O diagnóstico de câncer no pâncreas em 2025 alterou significativamente sua rotina.
Sucessivas internações se intensificaram até seu falecimento em Brasília em 18 de janeiro de 2026. Sua morte encerra trajetória de cinco décadas na vida política nacional brasileira.
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