Da Redação
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) realiza até 26 de fevereiro o Censo da Pós-Graduação stricto sensu referente a 2025. Trata-se da primeira coleta de dados estatísticos sobre programas de mestrado e doutorado no país.
Objetivo do mapeamento
O levantamento visa orientar políticas públicas para melhorar a pós-graduação conforme sua realidade atual. A iniciativa é inédita e será realizada anualmente a partir de agora.
O preenchimento dos dados é obrigatório e individual, realizado por meio da Plataforma Sucupira.
Quem deve participar
Pós-graduandos matriculados em cursos de mestrado e doutorado devem responder o formulário. Também professores permanentes e colaboradores participam da coleta.
Pesquisadores em estágio pós-doutoral que não atuam como docentes e coordenadores de programas de Pós-Graduação (PPGs) em exercício também estão inclusos.
Estrutura dos questionários
A Capes explica que os formulários são adaptados a cada perfil de entrevistado. As perguntas são de múltipla escolha com definições para garantir correta interpretação.
Pró-reitores e coordenadores de PPGs devem acompanhar adesão dos integrantes dentro do prazo estabelecido.
Divulgação dos resultados
Os resultados do censo serão divulgados em 16 de novembro de 2026. Atualmente, quase 70% do público contribuinte já participou da coleta.
Mais de 150 programas de pós-graduação já possuem 100% dos formulários preenchidos, enquanto muitos outros alcançaram 98%.
Dados sobre inclusão e equidade
O censo incorpora perguntas sobre parentalidade, perfil socioeconômico e questões de diversidade. Os dados ajudarão a mapear desigualdades históricas invisíveis na pós-graduação.
Informações sobre mulheres, indígenas, pardos, quilombolas e pessoas com deficiência serão coletadas nas diferentes regiões do país.
Impacto nas políticas públicas
A identificação de desigualdades permitirá ajustes nas fichas de avaliação de docentes. Professores em período de parentalidade terão prazos maiores para avaliação.
Bolsistas podem solicitar prorrogação do período de bolsa quando necessário, incluindo períodos de licença maternidade ou paternidade.
Avanços na avaliação de cursos
A Capes abandonará análise exclusivamente quantitativa e adotará abordagem quali-quantitativa. Serão avaliados impactos regionais, locais, nacionais e internacionais dos programas.
Os “casos de impacto” mostrarão como a pesquisa mudou políticas públicas, tratamentos ou gerou produtos e processos inovadores.
Inclusão e políticas afirmativas
Programas com políticas de ação afirmativa receberão melhor avaliação. A pós-graduação agora integra a Lei de Cotas, mas sem obrigatoriedade, respeitando autonomia das universidades.
Os dados autodeclaratórios do censo revelarão se políticas afirmativas estão sendo efetivamente implementadas nos programas.
Formação de doutores para inovação
A Capes permitiu que estágios obrigatórios sejam prestados em ambientes empresariais e na sociedade civil organizada. Doutorandos podem interagir com setor produtivo não acadêmico.
Existe acordo de cooperação técnica com a Embrapii e negociações com a Finep para aproximar pós-graduação da inovação industrial.
Saúde mental na pós-graduação
A evasão em mestrado e doutorado é inferior a 10%, chegando a 4% ou 5% em alguns cursos. Este índice é considerado esperado pelos especialistas.
Questões de saúde mental são reconhecidas como um motivo de evasão, exigindo melhorias no ambiente acadêmico.
Importância das bolsas de estudo
Bolsas de estudo sustentam os pós-graduandos, permitindo dedicação integral aos cursos. O país ainda não alcança 100% de bolsistas na pós-graduação.
O governo federal trabalha para ampliar vagas e aumentar número de bolsas de mestrado e doutorado disponíveis.
Impacto do sistema de pós-graduação
Países com maior número de mestres e doutores apresentam desenvolvimento mais avançado. O Brasil consolidou sistema nacional forte em 60 anos.
Universidades federais hoje possuem entre 80% a 85% de professores doutores em seu corpo docente. Algumas, como UFABC, atingem 100%.


