Da Redação
A produção de soja enfrenta pressões crescentes nesta safra. Pragas emergentes e custos elevados transformam a vigilância constante em necessidade para os produtores. A ciência ocupa papel central nas estratégias para manter a rentabilidade das lavouras em Mato Grosso.
Custos recordes pressionam a rentabilidade
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária registra custos entre R$ 6 mil e R$ 7 mil por hectare. Os defensivos agrícolas representam aproximadamente 30% desse total, pressionados pela necessidade contínua de controle de pragas tradicionais e emergentes.
Paulo Adriano Gai Cervo, produtor de 2,1 mil hectares em Comodoro, destaca a importância da vigilância permanente. A atividade agrícola exige antecipação de riscos e monitoramento constante para evitar perdas produtivas significativas.
Mosca-da-larva-minadora: nova ameaça em expansão
O inseto reduz a área foliar das plantas e compromete o enchimento dos grãos. A praga altera o ciclo da soja, elevando substancialmente o risco de perdas econômicas para os produtores da região.
Diferentemente de ciclos anteriores, a mosca-da-larva-minadora apresenta comportamento alterado. O inseto depositava ovos no terço inferior das plantas; agora atinge níveis médios e superiores, ampliando o impacto na fotossíntese.
Victor Souza Lima, engenheiro agrônomo, observa intensificação desde 2023/24. O clima quente, úmido e de baixa altitude cria ambiente favorável à multiplicação, transformando praga secundária em ameaça economicamente significativa.
Nematoides: ameaça invisível sob o solo
Vermes microscópicos atacam raízes e causam perdas consideráveis. A Associação Brasileira de Nematologia estima impacto de R$ 36 bilhões anuais em todas as culturas no Brasil.
Apenas na soja, o prejuízo alcança aproximadamente R$ 16 bilhões por safra, segundo dados da indústria. O Pratylenchus destaca-se como praga mais prevalente em Mato Grosso, afetando também algodão e milho.
A dificuldade reside na invisibilidade do problema a olho nu. Os produtores enfrentam desafios para identificar momento e forma corretos de intervenção, elevando custos e complexidade do manejo.
Inovação biotecnológica como solução em desenvolvimento
Uma multinacional desenvolve cultivar de soja inédita com resistência aos principais nematoides. Já totalizados 160 testes de campo, com expectativa de liberação comercial em dois anos.
A biotecnologia reduz população de nematoides praticamente a zero e beneficia culturas subsequentes. O sistema radicular mais agressivo melhora absorção de nutrientes e resistência ao estresse hídrico.
Portfólio ampliado de defensivos em testes finais
Além da soja resistente, desenvolve-se novo inseticida e fungicida em fase final de testes. As tecnologias visam ampliar ferramentas de manejo em soja e algodão durante todo o ciclo produtivo.
Resultados indicam ganhos de pelo menos três sacas na soja e cinco a quinze arrobas no algodão. O novo inseticida pertence a grupo químico inovador com eficiência ampliada no controle de lagartas.
Inovação como resposta a ciclos desafiadores
Em sistemas de agricultura tropical intensiva, inovação torna-se indispensável para sustentabilidade. Momentos de dificuldade demonstram importância decisiva da ciência para atravessar crises produtivas.
As tecnologias em desenvolvimento refletem compromisso da indústria em auxiliar produtores a aumentar produção. O cenário atual reforça papel central da pesquisa e inovação na sobrevivência agrícola.
Radar364 – O Seu Portal de Notícias de Rondonópolis e Região.

