Da Redação
Logística Comprometida
Os confrontos prolongados no Oriente Médio colocam em risco a segurança alimentar mundial. A região, além de petróleo, produz fertilizantes nitrogenados essenciais para agricultura global. O bloqueio do Estreito de Ormuz impede entrega desses insumos aos produtores rurais.
A interrupção do tráfego marítimo já causa alta nos preços de petróleo e gás natural. Mantendo-se fechada, a via elevará custos de insumos agrícolas vitais. Produtores podem reduzir uso de nutrientes, diminuindo oferta alimentar mundial.
Dependência de Fertilizantes
Cinco grandes exportadores — Irã, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Bahrein — dependem exclusivamente do estreito. Juntos controlam mais de um terço do comércio mundial de ureia e quase um quarto da amônia. A QatarEnergy suspendeu produção após ataques a instalações de gás.
Especialistas comparam a gravidade atual com a crise ucraniana de quatro anos atrás. O impacto nos fertilizantes pode ser ainda mais profundo pelo volume de produtores envolvidos. Índia e Brasil buscam alternativas para reduzir essa dependência.
Impactos no Mercado
A escassez já afeta indicadores financeiros internacionais. Na última semana, ureia no Egito subiu de US$ 485 para US$ 665 por tonelada, aumento de 37%. O enxofre, subproduto do refino usado em fertilizantes, tem metade de estoques retidos no Golfo.
O cenário é crítico para agricultores do Hemisfério Norte iniciando plantio primaveral. A valorização do dólar torna importações mais caras para nações em desenvolvimento. Persistindo a crise, governos africanos e asiáticos enfrentarão subsídios ao cultivo ou desnutrição acelerada.
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