Da Redação
A guerra civil sudanesa marca três anos com números alarmantes de vítimas e deslocados. Segundo a ONU, 34 milhões de pessoas enfrentam necessidade urgente de apoio humanitário no país africano.
Dimensão da crise humanitária
Aproximadamente 65% da população sudanesa depende de assistência humanitária. A fome afeta milhões há dois anos, enquanto 21 milhões carecem de acesso a serviços de saúde básicos.
Desnutrição aguda atinge 4 milhões de pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos. O Programa Mundial de Alimentos relata que famílias já esgotaram todos os mecanismos de sobrevivência.
Êxodo em massa e refugiados
Quatorze milhões foram deslocados desde o início do conflito em abril de 2023. Nove milhões buscam segurança dentro do país, enquanto 4,4 milhões fugiram para nações vizinhas como Chade e Egito.
Agências internacionais alertam que países receptores estão no limite de sua capacidade de acolhimento. A situação pressiona ainda mais a já frágil infraestrutura regional de apoio aos refugiados.
Violência sexual e crimes de guerra
A ONU documenta aumento significativo de violência de gênero contra mulheres e meninas. De 3,1 milhões em 2023, o número de vítimas saltou para 12,7 milhões em necessidade de apoio relacionado.
Denúncias de tentativa de genocídio e limpeza étnica crescem entre organizações de direitos humanos internacionais. A UNICEF registra mais de 5.700 graves violações contra crianças.
Impacto devastador em crianças
Mais de 4.300 pessoas foram mortas ou mutiladas, com ataques de drones responsáveis por 80% das mortes infantis. Nos primeiros três meses de 2026, 245 crianças perderam a vida ou sofreram ferimentos graves.
Darfur e os Kordofans concentram a maioria das vítimas infantis do conflito. As baixas de menores aumentaram drasticamente comparadas ao mesmo período do ano anterior.
Colapso do sistema de saúde
Médicos Sem Fronteiras tratou mais de 7.700 pacientes por violência física apenas em 2025. A organização registrou 250 mil consultas de emergência e mais de 4.200 consultas por violência sexual.
Mais de 2 mil pessoas morreram em ataques a instalações de saúde desde abril de 2023. O Sudão respondeu por 82% de todas as mortes globais por ataques a unidades médicas em 2025.
Desnutrição crítica e doenças
Quinze mil crianças menores de cinco anos internaram em programas de alimentação hospitalar do MSF por desnutrição aguda. Programas de vacinação foram interrompidos, acelerando propagação de doenças tratáveis como sarampo.
O colapso da vigilância epidemiológica retarda detecção de surtos de epidemias. A desnutrição eleva risco de morte por enfermidades preveníveis entre a população infantil sudanesa.
Origem do conflito armado
O país enfrentou golpes sucessivos após queda do presidente Omar al-Bashir em 2019. General Abdel Fattah al-Burhan e Mohamed Hamdan Dagalo dividiram poder em novo golpe realizado em outubro de 2021.
Discordância sobre incorporação de 100 mil tropas das Forças de Apoio Rápido ao exército regular escalou tensões. Combates iniciaram em 15 de abril de 2023 após recolocação de membros das milícias considerada ameaçadora.
Controle territorial e futuro incerto
As Forças de Apoio Rápido controlam Darfur e grande parte do Kordofan. O exército regular domina norte e leste, com Port Sudan como sede governamental reconhecida pela ONU.
Risco de segunda divisão territorial do país assombra cenário geopolítico regional. Sudão do Sul separou-se em 2011, levando a maior parte das reservas petrolíferas do antigo território unificado.
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