Da Redação
Dois dos rivais políticos mais formidáveis do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu anunciaram neste domingo (26) a união de seus partidos. A fusão visa derrotar seu governo de coalizão nas eleições previstas para o final deste ano.
Os ex-primeiros-ministros – o direitista Naftali Bennett e o centrista Yair Lapid – emitiram declarações anunciando a fusão de suas agremiações políticas. Os partidos envolvidos são o Bennett 2026 e There is a Future.
Declarações na coletiva de imprensa
‘Estamos aqui juntos pelo bem de nossos filhos. O Estado de Israel precisa mudar de rumo’, disse Lapid ao lado de Bennett em uma coletiva de imprensa conjunta.
Bennett afirmou que o novo partido se chamará Juntos e que ele será o seu líder. ‘Após 30 anos, é hora de nos separarmos de Netanyahu e abrirmos um novo capítulo para Israel’, declarou.
Trajetória política de Netanyahu
Desde seu primeiro mandato na década de 1990, Netanyahu se tornou uma figura polarizadora tanto em seu país quanto no exterior. O primeiro-ministro que mais tempo serviu em Israel retornou ao poder ao vencer as eleições de novembro de 2022.
Netanyahu formou o governo mais à direita da história de Israel após sua vitória eleitoral. Sua liderança se estende por mais de três décadas na política israelense.
Unindo forças novamente
Bennett e Lapid já uniram forças antes, pondo fim ao mandato consecutivo de 12 anos de Netanyahu nas eleições de 2021. Formaram um governo de coalizão que, com uma maioria apertada e profundamente dividido sobre questões importantes, sobreviveu por pouco mais de 18 meses.
Sua coalizão incluiu, pela primeira vez na história de Israel, um partido formado por membros da minoria árabe do país. A Lista Árabe Unida (UAL) agrupava palestinos por ascendência, israelenses por cidadania.
Antes dessa experiência, a dupla forçou sua entrada no governo de coalizão de 2013. A manobra excluiu os aliados judeus ultraortodoxos tradicionais de Netanyahu do executivo.
Impacto do ataque do Hamas
O ataque do Hamas ao sul de Israel em 2023 mergulhou o Oriente Médio no caos e levou Israel a lutar em múltiplas frentes. As credenciais de segurança de Netanyahu ficaram abaladas após o evento.
As pesquisas desde então preveem que Netanyahu perderá a próxima eleição, marcada para o final de outubro. O cenário político se transformou significativamente desde o ataque terrorista.
Capacidade de sobrevivência política
Netanyahu, o político israelense mais influente de sua geração, demonstrou no passado uma notável capacidade de sobrevivência política. Suas manobras estratégicas permitiram sua permanência no poder em momentos críticos.
No domingo, Netanyahu publicou uma foto de 2021 de Bennett e Lapid com o presidente da UAL, Mansour Abbas. ‘Eles fizeram isso uma vez, farão de novo’, dizia a publicação de Netanyahu no Telegram.
A mensagem representava uma aparente alfinetada à breve coalizão de 2021 que incluía a participação de partidos árabes no governo israelense.
Posicionamento de Bennett sobre questões sensíveis
Bennett afirmou que não buscará novamente uma coalizão com partidos árabes. Também descartou a possibilidade de ceder qualquer território a inimigos em futuras negociações.
Sua posição é uma aparente referência ao objetivo dos palestinos de estabelecer um Estado independente nos territórios ocupados por Israel. O tema permanece controverso na política israelense.
Cenário das pesquisas eleitorais
Bennett, de 54 anos, um ex-comandante do exército que se tornou milionário da área de tecnologia, está atrás de Netanyahu nas pesquisas. Uma pesquisa do canal N12 News de 23 de abril indicava projeções diferentes.
Bennett aparecia com 21 das 120 cadeiras do Knesset, contra 25 cadeiras do Likud de Netanyahu. O cenário apontava vantagem para a possível coalizão de Bennett e Lapid.
A pesquisa constatou que o partido de Lapid conquistou apenas sete cadeiras, contra as 24 que detém atualmente. A coalizão de Netanyahu obteve apenas 50 cadeiras nas projeções.
A provável coalizão de Bennett e Lapid conseguiria cerca de 60 cadeiras, incluindo diversas facções menores. A pesquisa ficou em linha com sondagens anteriores realizadas por instituições acadêmicas.
Bennett é apontado como o principal concorrente contra Netanyahu, embora o cenário político ainda possa sofrer alterações significativas. Os próximos meses serão decisivos para a definição do quadro político.
Perfil de Lapid e suas prioridades
Lapid, de 62 anos, é um ex-âncora de telejornal televisivo com grande carisma. Ele escreve canções pop e romances de suspense, representando a voz da classe média secular de Israel.
Seu eleitorado está cada vez mais indignado com o que considera uma carga tributária e de serviço militar injusta. Lapid centraliza sua campanha em questões que afetam a população civil.
Questão do serviço militar obrigatório
Os aliados políticos ultrarreligiosos de Netanyahu têm buscado uma isenção para suas comunidades do serviço militar obrigatório. Essas comunidades apresentam baixo índice de emprego e muitos benefícios estatais.
Trata-se de uma questão polêmica em Israel, que se tornou ainda mais urgente desde que as forças armadas alertaram para a sobrecarga de seus recursos. Os últimos dois anos registraram o maior número de mortes militares em décadas.
Críticas à gestão de Netanyahu
Tanto Lapid quanto Bennett fizeram do tema do serviço militar uma questão central de suas campanhas políticas. Ambos criticam a gestão do conflito pelo primeiro-ministro em exercício.
Eles criticaram Netanyahu por não conseguir transformar os ganhos militares em vitórias estratégicas sobre o Irã. Também questionam sua atuação frente aos grupos apoiados pelo Irã no Líbano e em Gaza.
O Hezbollah e o Hamas são as principais organizações apoiadas pelo Irã na região. Os rivais políticos afirmam que Netanyahu não conseguiu estratégia adequada contra essas forças.
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