Da Redação
A decisão dos Emirados Árabes Unidos de abandonar a Opep pegou de surpresa seus parceiros de seis décadas. O cartel agora enfrenta desafio para manter relevância em mercado global de petróleo em transformação acelerada.
Autoridades de outros países membros ficaram atônitas na terça-feira. Tensões históricas entre Abu Dhabi e a Arábia Saudita culminaram no anúncio de que o terceiro maior produtor da Opep deixará a organização em questão de dias.
Impacto na capacidade do cartel
Para a Opep e seus parceiros, a saída reduzirá sua capacidade de gerenciar preços do petróleo. O movimento posiciona os Emirados como agente imprevisível em momento de mudanças sem precedentes no mercado global.
A saída de um dos membros mais influentes levanta questões amplas sobre o futuro da organização. O poder da Opep vem sendo reduzido nos últimos anos, especialmente com petróleo de xisto dos Estados Unidos inundando o mercado.
“O poder de mercado da Opep vai diminuir”, afirmou Greg Brew, analista da consultoria Eurasia Group. “A saída dos Emirados compromete a credibilidade do grupo.”
Contexto da decisão
A decisão dos Emirados de sair da Opep vinha sendo construída há anos, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Divergências sobre política petrolífera entre Abu Dhabi e Riad aprofundaram-se durante a pandemia de Covid-19.
As tensões refletem choque de visões estratégicas. De um lado, ambição dos Emirados de aproveitar ao máximo suas reservas antes da transição energética. Do outro, preferência saudita por gerenciar cuidadosamente produção e preços.
Sultan Al Jaber, diretor-executivo da Abu Dhabi National Oil Co., frequentemente demonstrava insatisfação com limitações das cotas da Opep+. Após investir bilhões em nova capacidade, o país queria recuperar investimentos e aumentar produção.
O ponto decisivo
Os preparativos para a saída ganharam força no fim do ano passado. O ministro de Energia Suhail Al Mazrouei apontou a guerra no Irã como ponto decisivo da estratégia.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz obrigou produtores da região a interromper cerca de 10 milhões de barris por dia. Isso representou 10% da oferta mundial, segundo a Agência Internacional de Energia.
Com produção limitada, essa paralisação tornou a saída menos disruptiva para os mercados. Fora da Opep+, os Emirados poderão atender recuperação da demanda sem restrições de cotas.
Efeitos de longo prazo
“Se a capacidade de produção está saindo da influência do cartel, isso é negativo para os preços nos próximos três a cinco anos”, declarou Clayton Seigle do Center for Strategic and International Studies.
O principal temor é um efeito dominó com outros membros seguindo o mesmo caminho. A credibilidade do grupo diminui significativamente com cada saída de produtor relevante.
Responsabilidade recai sobre fewer membros
A importância da Opep está em sua capacidade de equilibrar o mercado, especialmente cortando produção quando demanda cai. Viu isso durante a crise de 2008 e pandemia de 2020.
Agora responsabilidade recairá sobre grupo menor dentro da Opep+, liderado por Arábia Saudita e Rússia. Enquanto Riad assume peso dos ajustes, outros membros mostram compromisso menos consistente.
A Arábia Saudita demonstrou frustração com perda de participação de mercado. Parceiros da aliança e produtores independentes aumentaram produção, reduzindo influência saudita.
Questões sobre capacidade real
Apesar da ambição dos Emirados de produzir mais, não está claro quanto espaço adicional existe. Muitos analistas acreditam que o país já operava próximo do limite antes da guerra.
Em fevereiro, os Emirados produziram 3,64 milhões de barris por dia, segundo Agência Internacional de Energia. Esse número estava acima dos dados oficiais do país.
“A produção dos Emirados esteve no limite por muito tempo — eles ignoraram as cotas da Opep+”, afirmou Gary Ross, consultor veterano do setor. “Na prática, quem equilibra o mercado é a Arábia Saudita.”
Cenário futuro
A saída não indica colapso imediato da aliança, segundo delegados da organização. Afirmam não esperar saída em massa após decisão dos Emirados.
O verdadeiro teste da força da Opep virá na próxima vez que precisar intervir. As consequências da guerra no Irã indicam que mercado ainda precisará de todo petróleo possível por algum tempo.
“O que não está claro é quando teremos excesso de oferta novamente e necessidade de controle de produção”, disse Bob McNally, presidente da Rapidan Energy Group. “Isso pode levar muitos anos.”
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