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Radar 364 > Educação > “Estudante deve errar, idealizar e construir”, afirma educadora premiada
Educação

“Estudante deve errar, idealizar e construir”, afirma educadora premiada

Por Pablo Publicados 14 de junho de 2026
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5 Min. de Leitura
“estudante-deve-errar,-idealizar-e-construir”,-diz-professora-premiada
“Estudante deve errar, idealizar e construir”, diz professora premiada
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Da Redação

Conteúdo
Resultados que transformam comunidadesOrigem do projeto inovadorEngajamento comunitário e impactos mensuráveisExpansão para política pública estadualAtuação em outros estadosReconhecimento internacional surpreendenteDesafios da tecnologia na educaçãoTecnologia além das telasLivro democratiza conhecimento prático

Débora Garofalo, professora de escola pública paulistana, iniciou em 2015 um projeto de robótica com sucata no ensino fundamental. A iniciativa conquistou diversos prêmios e a colocou entre os dez finalistas do Global Teacher Prize em 2019. Foi a primeira brasileira e primeira sul-americana a chegar nessa etapa da premiação.

Dez anos após o início do projeto, Garofalo recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em janeiro de 2026. O reconhecimento marca sua trajetória docente que extrapola o ambiente escolar. Na quinta-feira anterior, a educadora foi homenageada com o Prêmio Faz Diferença 2025, categoria Educação, em cerimônia na Casa Firjan, Rio de Janeiro.

Resultados que transformam comunidades

O projeto gerou redução significativa da evasão escolar e do trabalho infantil na escola localizada na periferia sul de São Paulo. A iniciativa ganhou escala e se tornou política pública estadual, com orientação de Débora.

Origem do projeto inovador

Em 2015, Débora assumiu vaga de tecnologia e inovação na EMEF Almirante Ary Parreiras, concentrada entre quatro grandes favelas com altos índices de violência e tráfico. Uma avaliação revelou que 70% dos estudantes apontavam o lixo como problema que impedia acesso à escola.

Diante do cenário, a professora decidiu transformar o lixo em objeto de conhecimento. O primeiro protótipo criado, um carrinho movido por bexiga utilizando a Terceira Lei de Newton, despertou entusiasmo dos alunos.

Engajamento comunitário e impactos mensuráveis

Feiras de tecnologia integraram a comunidade, reunindo mais de 500 pessoas na última edição de 2019. Os resultados incluem aumento no Ideb escolar de 4,2 para 5,2, coleta de mais de uma tonelada de lixo transformada em protótipos.

A evasão escolar foi reduzida em 93%, enquanto trabalho infantil diminuiu em 95%. Estudantes com potencial de risco receberam alimentação, certificado de voluntariado e permaneceram ajudando colegas.

Expansão para política pública estadual

Débora foi convidada a trabalhar na Secretaria Estadual de Educação para implementar o currículo em 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. O desafio era garantir intencionalidade pedagógica nos projetos dos professores.

Criou-se a prática Expo Movimento Inova, reunindo estudantes de todo estado, e o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista em escolas ociosas. Em 2022, 18 unidades funcionavam, além carreta móvel e currículo pioneiro de tecnologia.

Atuação em outros estados

Débora trabalhou no Rio de Janeiro estruturando GETs (Ginásios Educacionais Tecnológicos), lançando 300 escolas vocacionadas ao uso de tecnologia e inovação. Posteriormente, ofereceu formação docente e consultoria para outros estados e municípios.

Reconhecimento internacional surpreendente

Em 2026, Débora recebeu ligação madrugada informando sua seleção para o Global Teacher Influencer, categoria nova do prêmio em Dubai. Passagem aérea já estava comprada pelos organizadores.

O reconhecimento marcava o impacto de seu trabalho fora da sala de aula e como política pública. Foi a primeira professora a receber essa categoria, representando todos educadores e estudantes brasileiros.

Desafios da tecnologia na educação

A BNCC Computação, aprovada em 2022, tornou-se obrigatória em 2026, mas professores desconhecem como implementar. Secretarias enfrentam falta de suporte técnico, recursos, infraestrutura e equipes treinadas.

Débora questiona a simples proibição de celulares em sala, defendendo educação midiática que forme professores sobre criticidade e responsabilidade. A tecnologia deve trabalhar resolução de problemas com amabilidade e competências socioemocionais.

Tecnologia além das telas

Possuir tablet para cada estudante não garante melhoria nos índices de aprendizagem sem intencionalidade pedagógica. São Paulo experimentou esse cenário sem resultados significativos.

Muitas soluções surgem de atitudes simples. O projeto de Débora começou sem kit específico, utilizando lixo encontrado como problema trazido pelos próprios estudantes. O simples frequentemente funciona melhor.

Livro democratiza conhecimento prático

“Robótica com Sucata – Uma aventura pela criatividade”, publicado pela editora Moderna, responde perguntas de professores sobre implementação prática do projeto. Material “mão na massa” incorpora leitura e literatura.

O livro demonstra que crianças podem transformar objetos cotidianos em projetos inovadores. Propõe educação ativa onde estudante erra, idealiza, constrói, testa e colabora. Segundo livro já lançado, com terceira edição prevista para segundo semestre de 2026.


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Pablo 14 de junho de 2026
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