Da Redação
A colheita de soja em Querência, no leste mato-grossense, avança sob pressão de chuvas previstas acima da média. A alta umidade dos grãos reduz as janelas de trabalho e eleva custos com secagem nas propriedades.
Desafios na Fazenda Certeza
Na Fazenda Certeza, 2,8 mil hectares foram cultivados na safra 2025/26. Apenas 500 hectares haviam sido colhidos até o momento da reportagem.
Garoas frequentes interrompem constantemente o trabalho e impedem a redução ideal da umidade. O agricultor Neori Norberto Wink explica que o secador trabalha intensamente nessas condições.
"Não conseguimos tirar produto com menos de 20% de umidade. Quando melhora, vem uma garoa", relata ao Canal Rural Mato Grosso.
Com esse nível de umidade, os produtores precisam passar os grãos duas vezes pelo secador. A propriedade já acumulou 1,3 mil milímetros de chuva, enquanto a média anual varia entre 2.250 e 2.300 milímetros.
Custos elevados e margem apertada
Mesmo com armazém próprio com capacidade de 12,8 mil toneladas, o custo preocupa produtores. Os preços atuais deixam margem reduzida para investimentos.
Neori destaca: "Quem não colher 70 sacas de média nesses preços sobrando R$ 100 líquido não paga os investimentos".
O presidente do Sindicato Rural de Querência, Osmar Frizzo, reforça que janeiro a março concentram historicamente os maiores volumes de chuva. Produtores com pivô de irrigação sentem ainda mais o impacto das condições climáticas.
Qualidade de grão em risco
Para o delegado da Aprosoja Mato Grosso em Querência, Lauri Pedro Jantsch, o maior desafio é retirar o produto no tempo certo.
Se as chuvas seguirem a média histórica, muita água cairá durante fevereiro e março, período crítico da colheita. O foco também está em garantir grãos pesados e de qualidade.
O agricultor Írio José Guisolphi cultivou 7,2 mil hectares de soja. Sua propriedade acumulou 780 milímetros de chuva, mas a variação anual é grande.
"Tem ano que dá 1,3 mil milímetros, mas tem ano que chega até 2,1 mil ou 2,2 mil", detalha.
Impacto na economia local
O desempenho da safra preocupa fora da porteira. Querência tem mais de 450 mil hectares cultivados, concentrados em soja e milho.
O prefeito Gilmar Wentz aponta que a baixa rentabilidade das culturas já reflete na economia local. A redução na arrecadação municipal afeta empresas ligadas ao setor agrícola.
Juros elevados e incertezas da reforma tributária, em vigor desde janeiro, agravam o cenário. "Sabemos que vamos sofrer, mas temos que estar preparados", afirma o prefeito.
Safra heterogênea e projeções cautelosas
O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, recorda desafios desde o plantio. Operações que duram 15 dias se estenderam por mais de um mês.
Isso resultou em safra mais longa e heterogênea, com áreas de alta produtividade e outras com desempenho abaixo do esperado. Há registros de lavouras em sequeiro com apenas 42 sacas por hectare.
Lucas ressalta cautela da entidade: "Dificilmente Mato Grosso bata 60 sacas". Projeções otimistas só serão possíveis após o encerramento da colheita.
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