Da Redação
Gargalo na produção
A falta de infraestrutura de armazenagem representa um dos principais desafios para o agronegócio mato-grossense e nacional. As estruturas existentes não acompanham o crescimento das safras recordes, comprometendo a segurança alimentar e lucros. O Imea aponta que o estado possui capacidade para apenas 53,4 milhões de toneladas, insuficiente para a produção atual.
A safra 2025/26 de soja deve ultrapassar 51 milhões de toneladas, somada aos 55 milhões de toneladas de milho da temporada anterior. O cenário exige escoamento acelerado das produções. Produtores enfrentam sistema saturado que força vendas imediatas por preços desproporcionais ao mercado.
Críticas ao Governo Federal
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, defende que armazéns funcionam como ferramentas essenciais de valorização. Contudo, critica a inexistência de políticas públicas eficazes e crédito acessível. O dirigente cobra taxas de juros reduzidas e desoneração fiscal para construção rural.
O dirigente ressalta que o déficit atual aumenta custos de frete, pois armazéns operam lotados. O país armazena menos de dois terços da safra informalmente. A falta de espaço retira do agricultor o poder de negociação nas oscilações do mercado internacional.
Impacto no campo
Alberto Chiapinotto, da Agrícola Irmãos Chiapinotto, sente os reflexos diretos deste travamento logístico. Mesmo com silos financiados pelo BNDES, suporta apenas 100 mil sacas, metade da produção em 2.080 hectares. A colheita sofre paralisações constantes pela indisponibilidade de transportes.
A expansão de 80 mil sacas segue engavetada devido à Taxa Selic elevada e retorno financeiro insuficiente. Produtores como Rogério Berwanger optaram por investimentos com capital próprio ao longo de 15 anos para evitar endividamento. Os juros bancários atuais tornaram-se impagáveis para o setor agrícola.
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