Da Redação
A queda nos preços do algodão desestimula cotonicultores mato-grossenses há vários meses. Embora vendas mensais tenham avançado, negociações das safras 2024/25 e 2025/26 permanecem atrasadas frente ao histórico de cinco anos.
Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a safra 2024/25 acumula atraso de 7,93 pontos percentuais. A temporada 2025/26 registra retrocesso de 10,32 pontos percentuais em relação à média histórica.
Safra 2024/25 avança, porém permanece abaixo da média histórica
O relatório do Imea divulgado nesta semana indica avanço de 2,81 pontos percentuais nas vendas mensais da safra 2024/25. Os produtores já comercializaram 74,78% da produção projetada para este ciclo.
Este avanço não compensa o atraso acumulado em relação ao padrão das últimas cinco safras. O mercado mantém ritmo lento, reflexo direto da desvalorização do algodão nos últimos períodos.
Safra 2025/26 também sofre impactos da queda de preços
A temporada 2025/26, iniciada recentemente, também apresenta atraso nas transações comerciais. Conforme o Imea, vendas cresceram 5,12 pontos percentuais mensalmente, atingindo 40,40% da produção vendida.
O desempenho permanece 10,32 pontos percentuais abaixo da média das cinco safras anteriores. Este cenário evidencia maior cautela de cotonicultores, que aguardam melhores condições antes de fechar novos contratos comerciais.
Desvalorização pressiona a rentabilidade dos produtores
A queda dos preços do algodão aparece claramente nos valores de arroba negociados em novembro. Conforme dados do Imea:
- safra 2024/25: arroba vendida a R$ 120,22, queda mensal de 2,37%;
- safra 2025/26: valor médio de R$ 119,22, recuo de 5,22% comparado ao mês anterior.
Essas reduções afetam diretamente a rentabilidade do produtor no campo. O aumento simultâneo de custos com insumos, frete e financiamento intensifica a pressão financeira dos cotonicultores.
Negociações pontuais marcam comportamento do mercado
O relatório do Imea destaca que negociações em novembro permaneceram travadas e restritas. A maioria das transações envolveu apenas lotes específicos, com produtores buscando “fazer caixa” imediatamente.
O cotonicultor comercializa parte limitada da produção para cumprir compromissos financeiros urgentes. Simultaneamente, retém o restante na esperança de recuperação futura de preços.
Enquanto a desvalorização do algodão perdurar, as vendas devem manter ritmo moderado. A atenção permanece na variação cambial, demanda externa e comportamento da indústria têxtil global.
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