Da Redação
Foto: Caroline De Vita/Ministério da Agricultura e Pecuária
A piscicultura ganhou novo impulso na Baixada Cuiabana no último sábado (6). Quarenta famílias da agricultura familiar receberam alevinos no projeto Piscicultura Mais Vida. A iniciativa resulta de parceria entre Embrapa, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Cada família recebeu até mil peixes, conforme capacidade dos tanques disponíveis. Outras famílias já cadastradas serão contempladas nas próximas semanas. O evento ocorreu na Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) da Embrapa em Nossa Senhora do Livramento (MT).
Fávaro defende combate às desigualdades no campo
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, acompanhou a entrega de alevinos. Segundo ele, ações voltadas à agricultura familiar reduzem desigualdades e criam oportunidades de renda. O governo busca apoiar pequenos produtores com insumos, assistência técnica e formação contínua.
“É uma grande missão buscar tirar essas desigualdades, fazer com que cada palmo de chão de Mato Grosso seja uma terra próspera, que gere riqueza e desenvolvimento para as pessoas”, disse o ministro.
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Alevinos garantem metade da renda de famílias
Para quem vive da piscicultura, o impacto é direto e significativo. O agricultor familiar Agnaldo Jesus Botelho, morador do Distrito da Guia, explicou a importância da atividade. A criação de peixes passou a ser essencial para a sobrevivência da família.
“Não tem mais rio, não pode pescar e nem transportar, então temos que fazer a criação nos tanques e a venda dos peixes corresponde a 50% da nossa renda”, contou.
A entrega de alevinos reduz custos iniciais da atividade significativamente. Permite que as famílias acelerem o ciclo de produção e aumentem a oferta de peixe para venda local e regional.
Embrapa fala em “ato histórico” e IFMT mira 5 milhões de peixes
A chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, Lucimar Vendrúsculo, avaliou a ação como um marco importante para a região. Ela ressaltou o esforço conjunto de instituições presentes na Baixada Cuiabana.
“É um ato histórico, um novo crescimento na Baixada Cuiabana. Um esforço conjunto da agricultura presente aqui que muitas vezes é feita de desafios; nesse momento a gente resolve, dá um passo importante porque estamos juntos”, afirmou.
O reitor do IFMT, Julio César dos Santos, destacou a meta ousada da equipe responsável por alevinos. A equipe planeja produzir cinco milhões de peixes até março com mesmos recursos de um milhão.
“Quando assinamos o termo com o Mapa para a produção de alevinos, o ministro pediu pelo menos um milhão. A meta da equipe é produzir cinco milhões até o final de março com os mesmos recursos destinados para a produção de um milhão”, disse.
O projeto não se limita à etapa atual de distribuição. A ideia é ampliar o volume de peixes e alcançar mais comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e agricultores familiares.
Tanques e estrutura reforçam produção local
O prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Almeida, lembrou que o município investe na base física da atividade. As famílias beneficiadas estão cadastradas no Piscicultura Mais Vida e receberão doação de alevinos.
A prefeitura já entregou cerca de 70 tanques de piscicultura neste ano. Com isso, os produtores contam com estrutura mínima para criar, engordar e vender os peixes de forma organizada e eficiente.
Sustentabilidade, formação e preservação de espécies nativas
Lançado em março, o Piscicultura Mais Vida prevê fornecimento gratuito de alevinos para ribeirinhos, quilombolas e indígenas inscritos em programas federais. O projeto também funciona como centro de formação continuada, com cursos de instrução e nivelamento técnico.
A coordenadora-geral da iniciativa, Laila Natasha, professora doutora do IFMT, ressaltou o foco em espécies nativas e boas práticas de manejo. O programa busca combinar inclusão produtiva, sustentabilidade ambiental e agregação de valor.
“É importante preservar esses peixes e que os nossos produtores aprendam a cultivar e produzir da melhor forma. Numa próxima etapa, também vamos trabalhar na verticalização”, explicou.
A meta é que os produtores avancem também na beneficiação e comercialização do pescado. Assim, toda a cadeia da piscicultura na região se fortalecerá progressivamente e sustentavelmente.
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