*Da Redação*
A supressão da tarifa adicional de 40% impostos pelos Estados Unidos sobre produtos agrícolas brasileiros repercute significativamente em Mato Grosso. O estado, maior produtor nacional e líder em exportações de carne bovina, recupera competitividade nos mercados internacionais com a decisão anunciada nesta quinta-feira.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, qualifica a medida como avanço relevante nas relações bilaterais. A retirada da sobretaxa oferece perspectivas positivas tanto ao agronegócio brasileiro quanto aos compradores internacionais.
Fávaro ressalta que o anúncio demonstra maturidade nas negociações entre os países. Segundo ele, o diálogo persiste e existem ainda diversos pontos a serem negociados nas tratativas futuras.
Oportunidades imediatas para o estado
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) recebeu a decisão com aprovação do setor produtivo regional. A entidade considera a reversão tarifária positiva para toda cadeia de comercialização de carne.
O superintendente Cleiton Gauer destaca que a pecuária celebra essa reversão. Espera-se que o novo contexto de diálogo amplie as exportações, consolide parcerias e fortaleça o agronegócio regional, impulsionando crescimento econômico.
A ausência da sobretaxa favorecerá acordos comerciais mais duradouros com compradores norte-americanos. Este cenário cria previsibilidade e estabilidade contratual para operações de longo prazo.
Números que confirmam o crescimento
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) comprovam expansão mato-grossense no comércio internacional. Entre janeiro e outubro de 2025, exportações cresceram 35,19% em comparação ao período equivalente de 2024.
Apenas em outubro, Mato Grosso embarcou 107,94 mil toneladas de carne bovina, gerando receita de US$ 462,82 milhões. O Imea destaca diversificação de destinos e ganhos no ranking nacional de exportadores.
O aumento na oferta fortalece o desempenho. A intenção de confinamento atingiu 926,78 mil cabeças no segundo trimestre, com projeção de 928,7 mil animais em 2025, representando avanço de 4,05% sobre ano anterior.
Posição de liderança consolidada
Mesmo com reajustes no rebanho, estimado em 32,1 milhões de cabeças em 2025, Mato Grosso mantém a liderança como principal polo pecuário nacional. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) confirmam essa posição estratégica.
O recuo anual de 2,03% reflete maior descarte de matrizes nos últimos anos. Essa dinâmica estrutural não afeta a supremacia produtiva do estado no cenário nacional.
Para a Famato, o novo cenário reafirma o papel estratégico mato-grossense no abastecimento global. A carne produzida atende padrões rigorosos de sanidade, sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos mercados mais exigentes internacionalmente.
O Imea aponta que Mato Grosso aproxima-se de São Paulo nas exportações e identifica amplo potencial de crescimento. A manutenção da redução tarifária norte-americana pode acelerar essa expansão participativa.
Produtos contemplados pela eliminação tarifária
Carnes bovinas: O anexo especifica todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — abrangendo carcaças, meias-carcaças, cortes com e sem osso, high-quality beef, miúdos bovinos e carnes processadas (salgada, curada, seca ou defumada).
Frutas e vegetais: Ampla relação inclui tomate, coco, lima Tahiti, abacate, manga, goiaba, mangostim, abacaxi, mamão e raízes tropicais como mandioca, com flexibilidade tarifária conforme sazonalidade.
Café e derivados: Café verde, torrado, descafeinado, cascas e películas de café, além de substitutos contendo café integram a lista de produtos liberados da sobretaxa adicional.
Chá, mate e especiarias: Chá verde, chá preto, erva-mate, pimentas, noz-moscada, cravo, canela, cardamomo, açafrão, gengibre, cúrcuma e misturas de especiarias recebem eliminação da tarifa extra.
Castanhas e sementes: Castanha-do-pará, castanha de caju, macadâmia, nozes pignolia e sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho) beneficiam-se da redução tarifária norte-americana.
Sucos de frutas: Suco de laranja, limão, abacaxi, água de coco e produtos de açaí (polpas e preparados) integram a lista de produtos liberados da sobretaxa.
Produtos de cacau: Amêndoas de cacau, pasta, manteiga e pó de cacau recebem eliminação da tarifa adicional impostos anteriormente.
Produtos processados: Polpas de frutas, geleias, pastas, purês, palmito, tapioca, féculas, amidos e produtos preservados em açúcar ou vinagre constam entre os beneficiados.
Fertilizantes: Ureia, sulfato de amônio, nitrato de amônio, misturas NPK, fosfatos (MAP/DAP) e cloreto de potássio recebem revisão tarifária, relevante para importação brasileira.
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