Da Redação
A irregularidade das chuvas causou atraso de até 60 dias no plantio de soja em Mato Grosso. Municípios como Canarana e Diamantino enfrentam dificuldades para concluir a semeadura. Produtores temem redução na produtividade pela perda da janela ideal de plantio.
Atraso preocupa produtores em Canarana
Em Canarana, o presidente do Sindicato Rural, Lino Costa, relata que muitas propriedades ainda não finalizaram o plantio. Outubro deveria marcar o encerramento dos trabalhos conforme o calendário agrícola. A falta de umidade em diversas regiões compromete o cronograma.
Costa adverte que cada dia perdido reduz o potencial produtivo da lavoura. Plantar fora da janela ideal significa menor rendimento final. O cenário gera preocupação entre os agricultores da região.
Diamantino acumula dois meses de atraso
Diamantino acumula quase dois meses desde o início da semeadura sem finalizar todas as áreas. O presidente do Sindicato Rural, Altemar Kroling, descreve o ano como “bem atípico”. Alguns agricultores já consideram o replantio de áreas.
Apesar do ritmo lento, o município já cultivou 98% dos 400 mil hectares previstos para a safra 2025/2026. Entretanto, boa parte foi implantada fora da janela ideal de plantio.
Mercado travado desestimula comercialização
A instabilidade climática também afeta o ritmo de comercialização da safra. Preços travados e custos elevados levam produtores a segurar as negociações. O mercado permanece lento no início desta safra.
Kroling confirma que produtores aguardam melhores condições para “travar” parte da produção. Observam a safra americana esperando possível alta de preços. A saca custa em média US$ 20 na região.
Vendas no pior nível em cinco anos
O Sindicato Rural de Diamantino estima que entre 35% e 40% da produção futura foi comercializada. Este é o pior nível registrado nos últimos cinco anos. A cautela domina as decisões de venda.
Em Canarana, produtores tentam equilibrar riscos antes de negociar. Preservam volume caso haja perda por questões climáticas. Alguns agricultores iniciaram trocas e vendas iniciais.
Estratégia defensiva em Água Boa
Em Água Boa, o presidente do Sindicato Rural, Geraldo Antônio Delai, afirma que o mercado enfrenta um dos momentos mais pressionados dos últimos anos. Produtores evitam precipitar decisões comerciais neste contexto.
Delai observa que a soja “está no fundo do poço dos preços” e não reage substancialmente. Esperar até a colheita apresenta riscos, mas olhando o histórico de oferta, preços melhores podem surgir adiante.
Dados confirmam lentidão nas vendas
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) reforçam essa lentidão nas transações. A safra 2024/25 alcançou 97,12% de comercialização até o período. A safra 2025/26 registra apenas 36,08% vendida.
O índice está mais de sete pontos abaixo da média dos últimos cinco anos. Esta defasagem reflete a cautela dos produtores diante das incertezas de preço e clima.
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