Da Redação
Mato Grosso vive momento histórico na produção e exportação de proteína animal. O estado registra recordes sucessivos, especialmente na carne bovina, consolidando liderança no comércio exterior. O avanço traz desafios significativos, como custos elevados, margens reduzidas e necessidade crescente de eficiência operacional.
Recordes nas exportações de carne bovina
Em novembro, Mato Grosso exportou mais de 112 mil toneladas de carne bovina, conforme Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No acumulado de 2025, o estado já exportou 867,7 mil toneladas, alta de 23,8% comparado ao período anterior. Volume acumulado supera todo o montante de 2024.
A China permanece como principal destino, concentrando quase 55% das compras realizadas. Mato Grosso mantém posição de maior exportador de carne bovina do país. Perspectivas incluem retorno de compras dos Estados Unidos e possível abertura dos mercados do Japão e Coreia do Sul.
O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, afirmou ao Canal Rural Mato Grosso que o abate deve permanecer acima de 7,2 milhões de cabeças. Expectativa do setor é manter ritmo de crescimento nas exportações.
Desafios internos: custos e margens apertadas
Apesar da liderança nas exportações, o setor enfrenta desafios significativos nas propriedades rurais. Custos de produção permanecem altos e margens de lucro extremamente reduzidas atualmente. Segundo Oswaldo, pecuaristas competem intensamente na recria e terminação, considerando lucro de dois reais por arroba como positivo.
A cria, base fundamental da pecuária, concentra-se nos produtores tradicionais mais estabelecidos. Atividade exige maior trabalho, despesas maiores e apresenta risco significativo de perdas. Produtores com menor capitalização deixam a atividade gradualmente.
O comportamento do preço da arroba mudou nos últimos anos significativamente. Antes, preço se recuperava gradativamente após períodos de seca regional. Essa tendência não se mantém há aproximadamente dois anos consecutivos. Expectativas de preços entre R$ 350 a R$ 400 por arroba não se concretizaram como previsto.
Ausência de recuperação de preços gera cautela no mercado pecuário local. Mercado externo sustenta principalmente a pecuária brasileira atualmente. Produtores com menores recursos financeiros enfrentam dificuldades para manter operações.
Sinais de um novo ciclo pecuário
O setor já observa sinais claros de um novo ciclo pecuário em formação. Retenção de fêmeas aumenta e valorização dos animais é evidente no mercado. Procura por bois magros e machos tem crescido significativamente nos últimos meses.
Dinâmica deve refletir em alta no preço da arroba a partir do segundo semestre de 2026. Expectativa do setor é positiva para ciclo futuro, embora cautela ainda prevaleça. Mudança de padrão de compras pode indicar recuperação próxima dos valores.
Rastreabilidade e pressão internacional
Mercados internacionais exigem rastreabilidade completa da cadeia produtiva de carne. Requisito preocupa os produtores locais quanto aos custos adicionais. Setor defende que processo seja gradual e sem onerar excessivamente produtor.
Implementação inadequada de rastreabilidade pode comprometer ganhos econômicos obtidos. Busca-se equilíbrio entre atender demandas internacionais e viabilidade financeira local.
Suinocultura em crescimento, mas limitada pelo crédito
A suinocultura em Mato Grosso apresenta resultados positivos, mas enfrenta dificuldades significativas no acesso ao crédito. Diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, destacou que juros elevados dificultam investimentos. Ampliação da produção fica comprometida pelos altos custos financeiros.
Custódio Rodrigues defende políticas públicas estratégicas para fortalecer cadeia produtiva local. Medidas devem aumentar número de matrizes nas propriedades rurais. Objetivo é gerar mais divisas e oportunidades para produtores locais de suínos.
Exportações e produção de carne suína
Dados do Imea mostram que até setembro de 2025, carne suína in natura representou mais de 84% das exportações. Após recorde de 1,3 milhão de toneladas exportadas em 2024, projeção para 2025 é de crescimento. Tendência nacional estima 1,45 milhão de toneladas para 2025.
Cenário é reforçado pelo recorde de abates no Brasil, com quase 15,8 milhões de cabeças no terceiro trimestre. Produção de carne suína acompanha ritmo de crescimento nacional. Exportações devem manter trajetória ascendente nos próximos meses.
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