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Radar 364 > Agro > Produtor cautela na definição de área de milho em MT entre clima, custos e desvalorização
Agro

Produtor cautela na definição de área de milho em MT entre clima, custos e desvalorização

Por Viviane Petroli Publicados 30 de dezembro de 2025
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6 Min. de Leitura
entre-clima,-custos-e-desvalorizacao-produtor-adota-cautela-na-definicao-da-area-de-milho-em-mt
Entre clima, custos e desvalorização produtor adota cautela na definição da área de milho em MT
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Da Redação

Conteúdo
Planejamento da temporada 2025/26Ajustes no campo e redução de riscoClima pesa na definição da áreaAlerta em Nova Mutum

A comercialização do milho em Mato Grosso avança em ritmo diferente das safras anteriores. Mesmo com boa parte da produção já negociada, o produtor enfrenta o próximo ciclo com cautela. Custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas ampliam o risco da atividade.

No estado, a venda do milho da safra 2024/25 ultrapassa 83% da produção estimada. O percentual é elevado, porém segue abaixo do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A retração da demanda internacional explica o resultado, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Planejamento da temporada 2025/26

Para a temporada 2025/26, os negócios caminham com mais lentidão. O atraso no plantio da soja somado ao aumento dos custos de produção mantém o produtor mais seletivo. A perda de competitividade dos preços também influencia tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área a ser plantada.

Conforme avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, o aumento dos custos na safra 2024/25 foi parcialmente compensado por maior produtividade. O clima mais regular favoreceu o desempenho.

O problema está no cenário projetado para o próximo ciclo, destaca Bertolini. O atraso da soja aumenta o risco climático, e o milho segunda acaba sendo implantado fora da melhor janela. Essa combinação deixa a atividade com margem muito estreita e negativa.

A situação exige do produtor mais cautela na exposição ao risco. A tendência de queda nos preços associada aos custos em alta pressiona as margens de lucro para o agricultor.

Ajustes no campo e redução de risco

No campo, a reação tem sido reduzir riscos e enxugar a estrutura produtiva. Em Rosário Oeste, a estratégia foi deixar o algodão de lado. Concentrar os investimentos na soja e no milho de segunda safra virou prioridade para atravessar um ano considerado decisivo.

O agricultor Almir Ferreira Pinto avalia que com juros elevados, financiar integralmente a lavoura se tornou inviável. Trabalhar com áreas arrendadas intensificou ainda mais o problema financeiro para produtores como ele.

Conforme Ferreira Pinto, nos moldes atuais não fecha a conta financeira. Se captar dinheiro no banco para plantar e ainda tiver que pagar arrendamento, o lucro praticamente não existe. Somar todos os custos exigiria colher acima de 70 sacas de soja por hectare apenas para empatar.

Diante desse cenário, a saída foi reduzir estrutura e área. Almir chegou a trabalhar com doze funcionários, mas hoje mantém cinco além da família. A mesma lógica se aplicou às áreas arrendadas contratadas.

Chegou a ter contrato de 2 mil hectares, porém repassou por um ano porque o cenário é ruim. A expectativa é retomar essa área apenas na safra 2026/27. Aguarda um melhor equilíbrio entre custos e preços nesse período.

Para Ferreira Pinto, o momento exige prudência absoluta. Não dá para arriscar, porque perder hoje com custo da lavoura é duro de recuperar em médio prazo.

Clima pesa na definição da área

No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra, a definição da área ainda é marcada pela incerteza. Chuvas irregulares e longos períodos de estiagem provocam atrasos no calendário agrícola.

O desenvolvimento da soja foi comprometido pelas condições climáticas adversas. Esse fator pesa diretamente na decisão do produtor sobre o plantio do milho na sequência.

O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, relata que muitos produtores iniciaram o plantio mais cedo. Apostaram na regularização das chuvas, o que não se confirmou conforme esperado.

O pessoal entrou plantando cedo, parecia que iria firmar as chuvas, mas daí parou. Agora chove a cada sete, 10 dias e em algumas regiões pontuais sem chuva, explica Bilibio à reportagem.

A soja entrou em fase reprodutiva sob estresse hídrico severo. Há abortamento de vagens e menor enchimento de grãos em muitas áreas. Na comparação com o ano passado, Bilibio avalia que entre 5% e 10% da produção já foi perdida.

Essa perda aumenta a apreensão do produtor quanto ao milho que será plantado. Agora é torcer para que o milho consiga boa produtividade e as chuvas se estenderem adequadamente.

Alerta em Nova Mutum

Em Nova Mutum, o cenário também é de alerta. O presidente do Sindicato Rural do município, Paulo Zen, aponta estresse hídrico elevado. Muitas áreas estão praticamente sem chuva acumulada no período.

De acordo com ele, o volume acumulado em dezembro está muito abaixo do necessário para a época. Estamos falando em 350 milímetros hoje. Em dezembro é pouca chuva para o período.

Zen acredita que isso vai refletir lá na colheita da próxima safra. Mesmo com uma janela de colheita mais longa prevista para 2026, a insegurança climática pesa na decisão.

O produtor tende a ser mais conservador quanto ao milho. Conforme Zen, na dúvida o produtor vai preferir nem plantar para evitar maiores riscos.

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