Da Redação
Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, fortalece posição como referência em diversificação agrícola. No município de Perdizes, no Alto Paranaíba, a Fazenda Água Santa expressa essa tendência através de números e paisagem com áreas irrigadas. O mosaico de culturas mantém atividade contínua ao longo dos doze meses do ano.
Entre pivôs centrais e lavouras delineadas, convivem café, soja, batata, trigo e milho. A batata destaca-se como principal cultura da propriedade, porém o milho cumpre função estratégica. Na estação verã o, encontra condições climáticas mais adequadas para expressar potencial produtivo elevado.
Milho integrado ao DNA da propriedade
“O grupo Água Santa tem o milho no DNA dele. Na verdade, a cultura principal nossa é a batata. Ela é feita no inverno. E o milho entra na rotação de culturas meio que quase que uma rotação obrigatória, é o melhor encaixe de rotação”, explica Daniel Rodrigues Lopes, diretor agrícola da Fazenda Água Santa, ao projeto Mais Milho.
Segundo o diretor, o milho verão se encaixa justamente na janela em que a fazenda alcança melhores resultados agronômicos. “Então nós temos um posicionamento do milho no verão nessa janela. É a hora em que a gente consegue uma expressão de produtividade melhor, em que a gente consegue a condição climática muito favorável”, afirma.
Produtividade expressa na safra de verão
Além do cultivo principal, a propriedade também produz milho na segunda safra, porém em escala reduzida. “Nós temos um pouco de milho safrinha, mas aí é uma área menor, uma área menos expressiva”, completa Daniel.
“A gente consegue no verão produtividades próximas a 200 sacas por hectare”, destaca o diretor agrícola. Para avançar ainda mais, o conhecimento e tecnologia funcionam como fatores-chave nessa equação produtiva.
Híbridos adaptados superam desafios fitossanitários
O avanço tecnológico mostrou-se decisivo para superar obstáculos enfrentados nos últimos anos, especialmente após a chegada da cigarrinha à região. “A gente vem melhorando a produtividade de novo com os híbridos novos e mais adaptados a cigarrinha. Desde que a cigarrinha apareceu na região, em 2019, 2020, a gente vinha com dificuldade de produzir e nos últimos dois anos melhorou de novo”, relata.
Conhecimento aplicado no detalhe agronômico
Daniel enfatiza mudança de perspectiva na agricultura contemporânea. “A gente fala que agricultura não é mais de hectare, agricultura é de metro quadrado ou de planta”. Essa abordagem permite identificar e potencializar resultados em cada ponto da lavoura.
Segundo o diretor, o potencial produtivo já se manifesta visível em determinadas áreas da fazenda. “Então, potencial existe. A gente já enxergou isso dentro de algumas áreas, então acho que é aplicar o conhecimento no metro quadrado e expressar o potencial que tem no local”, reforça.
Segunda safra enfrenta limitações de altitude
Na safrinha, os desafios ampliam-se, principalmente pela altitude da região, em torno de 1.100 metros. “Aqui na região é um pouco mais desafiador a safrinha. A gente tem obrigatoriamente que fazer a soja na primeira safra e aqui, por ser uma região mais alta, em torno de 1100 metros de altitude, então a gente tem uma extensão do ciclo de produção da soja”, explica.
Mesmo assim, produtores conseguem explorar a segunda safra, apesar das limitações de janela de plantio. “Mas eu digo que é uma safrinha na média, pelos anos, aí por volta de 120 sacas”, relata Daniel.
Diversificação como alicerce econômico
Na Fazenda Água Santa, a definição das culturas considera clima, solo, altitude e oportunidades de mercado simultaneamente. O milho verão emerge como escolha segura dentro desse planejamento estratégico de longo prazo.
“O milho de verão, ele tem um posicionamento muito forte, principalmente por questão das culturas de inverno, a gente tem outras opções nas áreas irrigadas”, afirma Daniel Rodrigues Lopes.
Mais que uma opção técnica, a diversificação mostra-se essencial para a sustentabilidade econômica da operação agrícola. “A diversificação vem mostrando ao longo dos anos que é uma estratégia importante para manter equilibrado o negócio”, frisa.
Essa combinação de atividades agrícolas permite atravessar momentos distintos do mercado com segurança. “E agora um está melhor outra hora outra. Quando você olha na cesta toda você tem uma composição média interessante”, conclui o diretor.
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