A semeadura da soja acelerou em Mato Grosso, mas em Nova Mutum produtores plantam no limite. O motivo são as chuvas irregulares e o rápido ressecamento do solo. Assim, muitos buscam cada janela de precipitação para não comprometer a safra e a segunda safra.
Bruno Miguel Pancini Nunes, gerente de produção da Fazenda Bom Princípio, conta que o plantio começou sob incerteza. A equipe monitora a umidade dia e noite. A propriedade pretende semear 1.230 hectares de soja nesta safra. Entretanto, em alguns talhões o intervalo sem chuva chegou a quase duas semanas. Consequentemente, já aparecem falhas de estande e plantas desuniformes, o que reduz a produtividade, explica Bruno.
Por sua vez, a gerente geral do Grupo Pscheidt, Valcilene Duarte de Mello, ainda não iniciou o plantio. Ela diz que precisou trocar variedades pelo risco de perder a janela do algodão. A fazenda esperava plantar 2,1 mil hectares de algodão, mas deve reduzir a área. Além disso, parte da soja precoce prevista para abrir espaço ao algodão será substituída por milho segunda safra. O Grupo Pscheidt prevê semear cerca de 4,1 mil hectares de soja, sendo 1,7 mil em Nova Mutum.
O calor extremo tem agravado a situação. Com temperaturas altas o solo seca mais rápido e, segundo produtores, há risco de a semente “cozinhar” no solo, comprometendo germinação e estabelecimento das plantas.
No município, o Sindicato Rural informa que 35% da área de soja — de um total estimado em 400 mil hectares — já está semeada. O presidente Paulo Zen reforça que produtores que plantaram entre 28 e 30 de setembro enfrentaram estiagem de até 20 dias. Diante dos custos e juros elevados, ele alerta que o replantio se torna financeiramente inviável.
Consultorias monitoram a diferença entre propriedades. O agrônomo Cledson Guimarães Dias Pereira, da Cowboy Consultoria, afirma que algumas fazendas concluíram o plantio, outras replantaram e há ainda as que avaliam se vale semear novamente. A consultoria atende 13 produtores em cerca de 26 mil hectares e, segundo Cledson, as previsões meteorológicas não dão segurança de normalização das chuvas.
No âmbito estadual, o Instituto Mato‑grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrou 60% da área de soja prevista já semeada até a última semana — avanço de mais de 16 pontos em relação à semana anterior. O médio‑norte lidera o ritmo, com 84,5% da área plantada. Mesmo assim, a Aprosoja Mato Grosso, representada por Lucas Costa Beber, alerta para a irregularidade das precipitações. Segundo ele, estiagens de 10 a 20 dias entre frentes de chuva trazem insegurança e forçam produtores a assumir mais riscos para não atrasar o milho.
Em resumo, produtores de Nova Mutum controlam custos e decisões sob pressão. Portanto, acompanham previsões e ajustam variedades e áreas para reduzir perdas e preservar janela da segunda safra.
Canal Rural Mato Grosso — Patrulheiro Agro

