Da Redação
Aprosoja Mato Grosso e Aprosoja Brasil apresentaram manifesto de 27 páginas no Senado. O documento cobra protagonismo brasileiro na COP30 de Belém, propondo agenda climática soberana baseada em ciência tropical.
As entidades alertam que debate global ignora papel de países tropicais. Brasil é único grande produtor de alimentos que combina alta produtividade com conservação ambiental e energia renovável em larga escala.
Métricas e padrões tropicais
Proposta central é criar Sistema Nacional de Métricas e Padrões Tropicais. Sistema articulará Embrapa e INPE para produzir metodologias de medição de carbono compatíveis com ciclos tropicais.
Manifesto sugere que Brasil lidere criação de Fórum Internacional de Agricultura e Clima Tropical. Fórum formulará métricas e parâmetros que deem voz científica aos trópicos globalmente.
Contribuição nacionalmente determinada
Documento defende revisão da NDC, meta brasileira de redução de gases estufa. Nova meta deve ser submetida ao Parlamento, refletindo proporção da responsabilidade nacional.
Carta aponta que Brasil responde por apenas 2,47% das emissões globais. China emite 28% e EUA até 15%, mostrando desproporcionalidade nas metas internacionais atuais.
Barreiras comerciais e custos
Manifesto argumenta que 75% do aquecimento global resulta de queima de CO2. Deste, 87% provém de combustíveis fósseis, não de uso da terra tropical.
Entidades apontam que padrões como EUDR europeu e CBAM impõem custos de 15% a 20%. Certificações privadas também encarecem produção brasileira, distorcendo concorrência internacional.
Três pilares estratégicos
Documento estabelece ‘Verde como Valor’, propondo incorporar áreas preservadas como ativos econômicos. Inclui pagamentos por serviços ambientais, mercados de carbono tropicais e crédito verde.
‘Clima como Desenvolvimento’ defende que nos trópicos, pobreza é maior risco ambiental. Clima deve gerar investimento, renda e inclusão social nas regiões tropicais.
‘Soberania como Caminho’ determina que Brasil defina próprias metas e metodologias. Respeita legislação nacional, não executando apenas regras externas impostas.
Potencial brasileiro em foco
Brasil possui 100 milhões de hectares de pastagens em algum grau de degradação. Meta de recuperar 40 milhões até 2035 pode elevar produção agrícola em 25% significativamente.
Agro responde por 32% da matriz energética nacional, integrando produção alimentar e geração de energia renovável em escala impressionante.
Oportunidade histórica
Professor da FGV Daniel Vargas contribuiu com documento e destaca COP30 como palco ideal. Brasil reúne ciência sólida, matriz limpa e agricultura eficiente para liderar globalmente.
‘É capaz de provar que é possível crescer reduzindo emissões, produzir conservando e gerar prosperidade com inclusão’, afirmou Vargas, que participará do debate Agrizone COP 30.
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