Da Redação
Desempenho recorde e pressão financeira
A safra brasileira de milho 2024/25 alcançou resultados históricos ao superar a marca de 140 milhões de toneladas produzidas. O país registrou bons desempenhos na primeira, segunda e terceira safras, impulsionado pelo clima favorável na maioria das regiões. Contudo, o setor enfrenta desafios econômicos significativos, já que o aumento nos custos de produção reduziu o impacto positivo da alta produtividade.
Dessa forma, a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) manifesta preocupação com o ciclo 2025/26. De acordo com o presidente da entidade, Paulo Bertolini, existe uma tendência de queda nos preços de venda enquanto os insumos continuam valorizados. Consequentemente, a rentabilidade do agricultor deve ser sensivelmente afetada, apresentando margens estreitas ou até negativas.
Planejamento e riscos climáticos
Nesse sentido, a orientação da Abramilho foca na cautela e no controle rigoroso de riscos para o próximo período. Além disso, o atraso no plantio da soja pode comprometer a janela ideal da segunda safra de milho, elevando a exposição climática das lavouras. Por isso, especialistas sugerem alternativas como o cultivo de sorgo, que apresenta menor vulnerabilidade e custo operacional reduzido.
A redução nos investimentos em tecnologia também aparece como um reflexo direto da incerteza financeira atual. Afinal, a contenção de gastos no campo pode resultar em uma perda do potencial produtivo no momento da colheita. Portanto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já trabalha com projeções que indicam uma safra futura menor em comparação ao ciclo atual.
Gargalos logísticos e infraestrutura
Embora o Brasil seja o segundo maior exportador mundial, o setor ainda lida com problemas estruturais graves, como o déficit de armazenagem. Atualmente, o país carece de espaço para estocar mais de 120 milhões de toneladas, sendo que apenas 16% dos armazéns existentes ficam dentro das propriedades rurais. Por causa disso, a logística de transporte torna-se mais cara e complexa para o produtor.
Ademais, a entidade defende que políticas de Estado substituam medidas pontuais de curto prazo. Nesse contexto, as prioridades levadas ao governo federal incluem o fortalecimento do seguro rural, investimentos em irrigação e a ampliação da capacidade de estocagem. Dessa maneira, o agronegócio busca garantir sustentabilidade econômica para manter o fornecimento a mais de 140 países atendidos pelo milho brasileiro.
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