Da Redação
A colheita da soja avançou de forma antecipada em diversas regiões de Mato Grosso, impulsionando o cronograma para a segunda safra de 2025. O clima favorável permitiu que os produtores iniciassem os trabalhos de campo mais cedo. Consequentemente, a janela para o plantio do milho tornou-se mais atrativa, embora o alto custo operacional ainda pressione as margens de lucro no estado.
Antecipação em Campos de Júlio e Comodoro
Nas propriedades da Agrícola Zanella, situadas em Campos de Júlio e Comodoro, as máquinas já operam em ritmo acelerado. A empresa cultivou 18,3 mil hectares de soja nesta temporada e espera ampliar a área de milho. Segundo o engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, o plantio da oleaginosa começou em 17 de setembro, o que garantiu o uso de variedades precoces.
Dessa forma, a previsão é semear 3,3 mil hectares de milho, volume 30% superior ao ciclo passado. Além disso, o uso de dessecação nas áreas restantes acelera a liberação do solo. Portanto, o cumprimento do calendário agrícola deve garantir melhores condições de desenvolvimento para o cereal.
Desafios financeiros e produtividade
Apesar do cenário climático positivo, o Sindicato Rural de Campos de Júlio alerta para os riscos financeiros. O presidente da entidade, Rodrigo Cassol, explica que o custo de produção oscila entre 90 e 100 sacas por hectare. Por isso, o produtor precisa colher ao menos 150 sacas para obter rentabilidade real.
Nesse sentido, áreas com histórico de baixa produtividade podem ficar fora do planejamento neste ano. Afinal, o investimento pesado exige um retorno proporcional que nem todos os solos oferecem. Consequentemente, a tendência geral é de manutenção das áreas mais consolidadas.
Realidade distinta em Sapezal e Campo Novo
Em Sapezal, o cenário é mais restritivo devido à força da cultura do algodão. O presidente do Sindicato Rural local, Diego Dalmaso, afirma que o custo do milho ultrapassa as 100 sacas por hectare na região. Por esse motivo, os produtores devem priorizar o algodão ou optar por coberturas como braquiária e crotalária em solos arenosos.
Por outro lado, Campo Novo do Parecis projeta um crescimento de 20% na área de milho, podendo atingir 200 mil hectares. O presidente do sindicato rural, Antônio César Brolio, destaca que a desvalorização do algodão estimulou essa migração. Dessa maneira, o milho ganha protagonismo como uma alternativa mais viável para o produtor local no momento.
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