Da Redação
Cenário de incerteza econômica
A colheita iniciou no oeste de Mato Grosso, porém o otimismo produtivo não reflete nas finanças dos agricultores. Municípios como Campos de Júlio e Sapezal registram bons números iniciais, mas a rentabilidade da soja preocupa devido à queda nos preços de mercado. O valor recebido pela saca não cobre o investimento realizado com insumos adquiridos em períodos de alta.
O desequilíbrio financeiro afeta diretamente o caixa das propriedades e toda a cadeia de fornecedores regional. Produtores que travaram custos antecipadamente precisam entregar volume maior de sacas para quitar dívidas. Segundo Rodrigo Cassol, presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio, o preço ideal deveria ser R$ 130, mas as cotações flutuam entre R$ 104 e R$ 105.
Desafio da produtividade elevada
Para honrar compromissos, a eficiência nas fazendas precisa ser máxima, já que o custo por hectare gira em torno de R$ 5 mil. O agricultor é obrigado a atingir médias de colheita superiores à tendência histórica para garantir equilíbrio. De acordo com Cassol, seria necessário colher aproximadamente 70 sacas por hectare para obter rentabilidade adequada.
A agilidade na colheita é fundamental para viabilizar a segunda safra, estratégia utilizada para diluir custos fixos. No Grupo Bom Jesus, que cultiva 4.226 hectares em Campos de Júlio, o foco está em aproveitar a janela climática. “É colhendo e plantando”, afirmou o gerente de produção Joelson Francisco da Silva, destacando a transição para o cultivo de algodão.
Tecnologia como aliada na gestão
Diante da margem de erro inexistente, produtores utilizam ferramentas tecnológicas para monitorar gastos na operação. Na Fazenda Agrícola Zanella, a telemetria controla o consumo de combustível e o desempenho das máquinas em tempo real em uma área de 18,3 mil hectares. O controle rigoroso tenta evitar que desperdícios operacionais corroam ainda mais os lucros.
O sentimento de insegurança é compartilhado por lideranças de outras cidades da região. Diego Dalmaso, presidente do Sindicato Rural de Sapezal, reforça que a preocupação é generalizada entre produtores e revendas. O cenário atual demonstra que a eficiência produtiva, por si só, pode não ser suficiente para garantir saúde financeira se os preços não reagirem.
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