Da Redação
Carta de protesto dos varejistas
Grandes redes varejistas europeias enviaram carta aos presidentes das principais tradings agrícolas nesta segunda-feira. O documento expressa profunda decepção com a saída coletiva anunciada em 5 de janeiro.
Tesco, Sainsburys, Asda, Aldi, Lidl e outras gigantes assinaram a correspondência. Os CEOs da ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco International são destinatários da mensagem.
Posicionamento esperado até fevereiro
As redes varejistas solicitam posicionamento formal sobre a saída do pacto até 16 de fevereiro. A partir de então, cada empresa será avaliada individualmente pelas redes.
Segundo a carta, a retirada do acordo “arrisca enfraquecer impedimentos ao desmatamento e prejudica acordos colaborativos”. O varejo mantém suas próprias restrições sobre soja amazônica.
Pressão por incentivos fiscais em Mato Grosso
A Abiove anunciou desistência do acordo após pressão relacionada a incentivos fiscais estaduais. A Lei nº 12.709/2024 permite que Mato Grosso retire benefícios de empresas signatárias.
A medida entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, motivando a busca por proteção legal pelas tradings agrícolas.
Histórico e impacto econômico
O pacto da Moratória foi criado em 2006, proibindo compra de soja desmatada na Amazônia após julho de 2008. O acordo é reconhecido pelo STF como legal e voluntário.
Mato Grosso, maior produtor nacional, teria impacto em 2,7 milhões de hectares e perderia mais de R$ 20 bilhões. A safra 2024/25 produziu 50,8 milhões de toneladas no estado.
Celebração do setor produtivo local
Produtores mato-grossenses comemoraram a saída, considerando o acordo privado e incompatível com legislação brasileira. A Aprosoja MT chamou a medida de vitória histórica.
Autoridades estaduais argumentam que o pacto prejudicava injustamente quem cumpre o Código Florestal. O acordo afeta também Acre, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia e Roraima.

