*Da Redação*
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira (28). A decisão situa-se no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. O mercado financeiro esperava a manutenção, mas economistas projetam novas altas nas próximas reuniões.
A votação não foi unânime. Dez membros votaram pela manutenção e dois dissentiram. As diretoras Lisa Cook e Beth Hammack votaram por um novo aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
Sinais de aperto futuro
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia os votos dissidentes. “Os dois votos dissidentes mostram que parte do Fed já defende novo aperto e aumentam as chances de uma alta na próxima reunião [em dezembro]”, afirma.
O Fed justificou a decisão pela necessidade de acumular mais informações. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, caracteriza a medida como “uma pausa tática, e não uma mudança de rota”. “O Fed condiciona explicitamente o próximo passo aos dados, sem renunciar ao viés de aperto”, completa Sung.
Inflação ainda acima da meta
A política monetária busca retornar a inflação à meta de 2%. O índice de preços ao consumidor (CPI) acelerou de 3,4% para 3,7% no acumulado de doze meses. O encarecimento da gasolina foi o principal fator responsável.
O núcleo do PCE, métrica preferida do Fed, permanece em 3%, um ponto percentual acima da meta. O núcleo do CPI subiu para 2,6%.
Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, afirma que o comitê optou por aguardar mais tempo diante das incertezas geopolíticas. A economia americana mantém-se em expansão, ancorada no crescimento da produtividade e em investimentos robustos.
Economia resiliente em novo patamar
O Fed alterou a descrição da atividade econômica no documento oficial. A palavra “sólida” foi substituída por “forte”. A consultoria 4Intelligence aponta que o consumo doméstico começou a apresentar sinais de acomodação apesar do crescimento firme.
O mercado de trabalho mostra maior equilíbrio e acomodação. A taxa de desemprego permaneceu em 4,2%. A criação de vagas acompanhou a expansão da força de trabalho.
Essa dinâmica tem limitado as pressões inflacionárias estruturais vindas de ganhos reais nos salários, segundo análise da 4Intelligence.
Petróleo segue como principal risco
O barril de petróleo continua cotado acima de US$ 100. “O choque de energia segue em curso e mantém a inflação desconfortavelmente distante do objetivo”, avalia Sung, da Suno.
Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos, argumenta que as incertezas geopolíticas recentes mantêm pressão nos juros longos. “Essa escalada dos preços do petróleo, se não administrada, pode acarretar em aumentos adicionais para os próximos meses”, afirma.
Centeno ressalta que há percepção de avanço interno apesar dos riscos. Kevin Warsh, presidente do Fed, sinalizou estar encorajado com o progresso das políticas já implementadas. As expectativas de inflação estão na direção correta, segundo Warsh.
Expectativas para dezembro e impacto no câmbio
O mercado trabalha com uma elevação de juros na última reunião do ano, em dezembro. Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, aponta probabilidade próxima de 80% de uma nova alta de juros. A 4Intelligence projeta dois aumentos adicionais no juro do Fed em dezembro e março de 2027.
A manutenção dos juros com dissidências refletiu em desvalorização do real. Benati observa que o dólar apresentou queda marginal no cenário global. Nos mercados domésticos brasileiros, o dólar subiu.
“O real está se desvalorizando mais intensamente frente ao dólar do que a média das principais moedas desenvolvidas”, avalia Benati.
Fonte: InfoMoney
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