*Da Redação*
Com a taxa Selic fixada em 14,25%, o Brasil consolidou posição entre nações com maiores juros reais globais. O índice chegou a 9,67%, tornando crédito extremamente custoso para o setor produtivo. Essa realidade pressiona principalmente a indústria de transformação, altamente dependente de investimentos e inovação.
Retração histórica da indústria
A Confederação Nacional da Indústria registra queda contínua da participação industrial no PIB. Em 1985, o setor representava 35,9% da economia brasileira. Em 2023, a fatia caiu para 15,2%, atingindo apenas 10,8% em 2024. Globalmente, o Brasil ocupa a 15ª posição entre maiores indústrias de transformação.
A produção mundial brasileira corresponde a 1,28% do total, distante do desempenho de 2,77% conquistado em 1995. Essa trajetória descendente revela erosão estrutural do parque industrial nacional nos últimos três décadas.
Desestímulo ao reinvestimento empresarial
Especialistas apontam que a combinação de juros altos e rentabilidade financeira elevada desestimula completamente a expansão industrial. Beny Fard, economista e sócio da B8 Partners, ressalta que empresários encontram atrativo deixar capital parado em aplicações.
“Se você tem dinheiro rendendo 14% em investimentos financeiros e a indústria gera apenas 15% de Ebitda, o índice de confiança do industrial fica irrisório”, explica Fard. O cenário desestimula completamente novos empreendimentos e ampliações produtivas.
Crédito bancário mais restritivo
O aumento de pedidos de recuperação judicial revela a asfixia creditícia enfrentada pelas empresas. Instituições bancárias endureceram critérios de concessão de empréstimos e financiamentos disponíveis ao setor produtivo. Garantias reais equivalentes a 110% dos valores emprestados agora são exigidas pelos bancos.
Operações baseadas em avalista tradicional praticamente desapareceram. O relacionamento bancário e assinatura de sócios deixaram de ser suficientes para obter crédito, conforme afirma o economista. Essa rigidez creditícia força empresas a buscar recuperação de dívidas.
Fonte: InfoMoney
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