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Radar 364 > Educação > Escolas de São Paulo adotam quadrinhos e rodas de conversa para ensinar história afro-brasileira
Educação

Escolas de São Paulo adotam quadrinhos e rodas de conversa para ensinar história afro-brasileira

Por Pablo Publicados 30 de novembro de 2025
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3 Min. de Leitura
escolas-de-sp-usam-quadrinhos,-conversas-para-ensino-da-historia-afro
Escolas de SP usam quadrinhos, conversas para ensino da história afro
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Da Redação

Conteúdo
Investimento em acervo e formaçãoAbordagem cultural sem dimensão religiosaFerramentas pedagógicas inovadorasCombate ao questionamento infundado

Desde 2003, a legislação brasileira obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira em todas as escolas. Porém, questões religiosas e falta de diálogo ainda representam entraves, mesmo após mais de duas décadas de implementação.

Em novembro, uma escola pública paulista enfrentou situação polêmica quando policiais armados compareceram após denúncia de pai que questionava desenho de orixá feito por sua filha. A ação gerou críticas de pais, comunidade escolar e políticos.

Investimento em acervo e formação

Para atender à legislação, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo adquiriu 700 mil exemplares de obras com temática étnico-racial em 2022. O acervo inclui produções infantis, juvenis e adultas para subsidiar práticas educacionais.

As unidades escolares recebem documento de referência intitulado “Orientações Pedagógicas: Povos Afro-brasileiros” que traz diretrizes para valorização das histórias e culturas afro-brasileiras, indígenas e migrantes.

O Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER) acompanha a implementação e apoia escolas na adoção de práticas antirracistas. No estado, o Programa Multiplica Educação Antirracista, conduzido pela COEIN e EFAPE, formou 6,8 mil professores desde 2024 sobre cultura e religiosidade africanas.

Abordagem cultural sem dimensão religiosa

A professora de geografia Núbia Esteves, que leciona há mais de vinte anos na EMEF Solano Trindade, zona oeste de São Paulo, trabalha orixás sob perspectiva exclusivamente cultural. Ela estabelece comparações mitológicas entre deuses africanos e gregos.

“Eu não trabalho religião. Trabalho os orixás fora da questão religiosa, considerando a questão cultural”, explica a docente que já recebeu prêmios por sua atuação na preservação da memória escolar e do bairro.

Nas aulas, alunos aprendem arquétipos culturais e mitologia comparada. Iansã aproxima-se de Atena, Oxum de Afrodite, Xangô de Zeus. Esteves também aborda a importância de diferentes povos na preservação ambiental através dos orixás protetores da natureza.

Ferramentas pedagógicas inovadoras

A professora utiliza quadrinhos, registros audiovisuais, trechos de autores como Pierre Verger e Reginaldo Prandi para criar atividades variadas. Alunos já produziram quadrinhos mostrando orixás conversando com divindades gregas.

Rodas de conversa fazem parte do currículo e permitem reflexão dos estudantes sobre ética, convivência e valores individuais, consolidando a aprendizagem significativa.

Combate ao questionamento infundado

Esteves relata já ter sido questionada por alunos que a acusavam de ensinar religião em sala. Ela esclarece que o trabalho com orixás é forma cultural, não religiosa, comparável ao estudo de mitologia grega ou festas populares.

“A escola estuda mitologia grega, lendas indígenas, santos em festas populares. Podemos trabalhar símbolos africanos da mesma forma”, argumenta a docente que enfatiza a importância de descolonizar e desmistificar saberes.

A professora conclui que conhecer culturas distintas reduz preconceitos e práticas racistas, consolidando uma educação antirracista genuína nas instituições escolares.


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Pablo 30 de novembro de 2025
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