Da Redação
Carga invisível e não remunerada
Mulheres dedicam semanalmente 9,6 horas a mais do que homens em tarefas domésticas e cuidados. Essa dedicação representa mais de mil horas anuais sem remuneração ou reconhecimento social.
Estudo de pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná constatou que 90% dos cuidadores informais brasileiros são mulheres. A maioria é composta por filhas, cônjuges e netas, com idade média de 48 anos.
Impacto na vida profissional e educacional
Mulheres e meninas frequentemente interrompem estudos e carreiras para assumir responsabilidades de cuidado. Conforme a pesquisadora Valquiria Elita Renk, essa tarefa diária não possui fim definido.
O trabalho do cuidado possui forte raiz cultural no Brasil. Pesquisadoras apontam que meninas aprendem desde cedo que essa é sua obrigação primordial.
Políticas internacionais de apoio
Países europeus já implementam políticas de suporte aos cuidadores. Na Finlândia e Dinamarca, assistentes domésticos recebem pagamento municipal pelos serviços prestados.
França, Áustria, Alemanha e Holanda custeiam parcialmente serviços de assistência. Reino Unido e Irlanda compensam perda de renda durante período de assistência familiar.
Espanha possui Lei de Promoção da Autonomia Pessoal que inclui compensação econômica para cuidadores familiares. Uruguai permite aposentadoria antecipada conforme número de filhos.
Situação brasileira ainda incipiente
Brasil instituiu Política Nacional do Cuidado em final de 2024, ainda em fase de implementação. Especialistas consideram essas medidas ainda tímidas e insuficientes.
Pesquisadores defendem reconhecimento social do cuidado e compensação financeira. Ideal seria que período de cuidado contasse para aposentadoria das mulheres.
Perfil das cuidadoras informais
Pesquisa realizada com 18 mulheres urbanas e rurais do Paraná e Santa Catarina revelou diversidade nas relações de parentesco. Filhas representam 68%, esposas 21%, netas e irmãs 5%.
A maioria tem entre 41 e 60 anos (43%) ou acima de 60 anos (37%). Quanto à escolaridade, 58% completou ensino fundamental e 30% possui curso superior.
Em profissões, 32% são agricultoras, 26% atuam no mercado formal, 26% são aposentadas. De todas, 61% paralisou trabalho para cuidar integralmente do familiar.
Cansaço, solidão e depressão
Mulheres cuidadoras relatam cansaço intenso devido ao trabalho ininterrupto, às vezes 24 horas diárias. Sentem-se desamparadas, sem bonificação, previdência ou colaboração familiar adequada.
Pesquisa aponta que cuidadoras desenvolvem solidão, depressão e exaustão. Pouco tempo para autocuidado permanece disponível, pois priorizam necessidades alheias antes de suas próprias.
Geração sanduíche sobrecarregada
Mulheres gerenciam simultaneamente trabalho formal, gestão doméstica e cuidado com filhos, maridos e idosos. Essa “Geração Sanduíche” enfrenta duas jornadas de aproximadamente cinco horas cada.
Pesquisadora questiona onde essa mulher encontra apoio para sua própria sustentação emocional e física. Sistema atual não oferece estrutura adequada.
Necessidade de mudança cultural e educacional
Especialistas apontam que trabalho doméstico deve ser igualmente distribuído entre meninas e meninos. Educação deve promover responsabilidade compartilhada desde infância.
Sociedade e famílias precisam se responsabilizar para não sobrecarregar apenas mulheres. Mudança cultural profunda é fundamental para transformar realidade.
Avanços legais recentes
Alguns juízes brasileiros concedem compensação quando ex-maridos devem pagar por tempo dedicado ao cuidado de filhos. Decisões representam progresso legal lento mas significativo.
Pesquisadora avalia essas conquistas como “uma luzinha no fim do túnel”. Reconhece-se que caminho ainda é longo para equidade real.
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