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Radar 364 > Educação > Políticas de recomposição de aprendizagens evoluem de ações emergenciais para formalizadas
Educação

Políticas de recomposição de aprendizagens evoluem de ações emergenciais para formalizadas

Por Pablo Publicados 25 de junho de 2026
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4 Min. de Leitura
aprendizagem-evoluiu-de-acoes-emergenciais-para-politicas-formalizadas
Aprendizagem evoluiu de ações emergenciais para políticas formalizadas
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Da Redação

Conteúdo
Estruturação das políticas educacionaisParticipação limitada de professoresFormação docente aquém do necessárioRecursos materiais predominantemente analógicosSaúde mental dos educadores negligenciadaAcolhimento psicossocial de estudantes em desenvolvimento

A agenda nacional pela recomposição das aprendizagens transitou de ações emergenciais, como aquelas implementadas durante a pandemia de Covid-19, para políticas gradualmente institucionalizadas. Diagnóstico divulgado pelo Ministério da Educação e Instituto Unibanco aponta que 82,8% das iniciativas federadas contam com respaldo legal.

O levantamento inédito foi apresentado nesta quinta-feira, 25. A pesquisa mapeou 151 iniciativas em 24 estados, fundamentando-se no Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens.

Estruturação das políticas educacionais

O relatório nacional documenta como redes estaduais e municipais estruturam políticas na educação básica para combater defasagens educacionais. O objetivo é garantir direito à aprendizagem dos estudantes e promover equidade educacional. Foram avaliados currículo, mediação pedagógica, desenvolvimento profissional e gestão educacional.

Todas as 52 iniciativas do eixo curricular utilizam algum instrumento de apoio à reorganização. A Base Nacional Comum Curricular e currículos específicos das redes são adotados em 88% dos casos.

Para Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, os resultados permitem compreender como as redes estruturam suas políticas. Ela destaca que transformar evidências em ação qualifica a assistência técnica e fortalece políticas adequadas às realidades locais.

Participação limitada de professores

O levantamento identifica falhas na escuta ativa de profissionais nas unidades educacionais. Apenas 44% das redes mantêm canais de escuta com professores e gestores para redesenho colaborativo de estratégias.

Em 67% das iniciativas, a equipe técnica central elaborou documentos curriculares e apenas apresentou aos professores para validação. Participação docente ativa ocorreu em apenas 25% dos casos.

Debates com regionais de ensino aconteceram em apenas 27% das iniciativas. O relatório sinaliza participação restrita dos atores escolares na reorientação das políticas educacionais.

Fabiana Bento, coordenadora do levantamento, afirma que esse resultado não representa necessariamente um problema. Ela destaca a importância de fortalecer retroalimentação entre formulação e implementação da política para que experiências da sala de aula contribuam para evolução contínua.

Formação docente aquém do necessário

Os programas formativos direcionam-se majoritariamente a coordenadores pedagógicos (73%) e gestores escolares (63%), alcançando professores em apenas 52% dos casos. O estudo aponta alerta sobre adequado apoio à prática docente.

Recursos materiais predominantemente analógicos

O suporte material de ensino permanece majoritariamente tradicional e analógico. Livros didáticos, sequências impressas e atividades estruturadas representam 52% das iniciativas. Apostilas (32%) e recursos audiovisuais (30%) também se destacam.

Apenas 20% dos materiais integram ferramentas digitais. Fabiana Bento esclarece que a ausência de tecnologias adaptativas não é o principal entrave para recomposição. O desafio está em adaptar estratégias às diferentes necessidades e ritmos de aprendizagem dos estudantes.

Saúde mental dos educadores negligenciada

O estudo evidencia pequeno número de ações voltadas à saúde mental dos educadores. Entre as iniciativas analisadas, 54% não têm nenhuma ação nesse sentido. Apenas 7% tratam prevenção ao burnout.

Apenas 14% das redes oferecem programas de apoio psicológico direto aos docentes. O estudo constata total ausência de formações docentes sobre trauma e aprendizagem.

Acolhimento psicossocial de estudantes em desenvolvimento

Nas ações de cuidado psicossocial aos estudantes, a maioria (57%) está em estágio intermediário de desenvolvimento. Práticas coletivas de acolhimento contínuo (75%) e rodas de conversa (71%) predominam.

Projetos voltados para competências socioemocionais (46%) e atendimento psicológico especializado (36%) são menos frequentes. Nas redes que mapearam ambiente escolar, violência verbal e virtual destacam-se em 82% dos casos.


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