Da Redação
A popularização das canetas emagrecedoras, especialmente o Mounjaro à base de tirzepatida, transformou significativamente o cenário da nutrologia e medicina esportiva. O médico nutrólogo Fábio Vuolo reconhece avanços no tratamento da obesidade e resistência à insulina. Porém, alerta para a busca desenfreada de praticantes de atividade física pelo medicamento como “atalho estético” sem compreensão dos efeitos metabólicos profundos.
Ferramenta potente exige acompanhamento
Segundo o especialista, a tirzepatida é uma ferramenta potente, porém extremamente sensível. Demanda análise individualizada, critérios claros e acompanhamento contínuo para evitar prejuízos ao desempenho esportivo.
Mitos prejudiciais sobre o medicamento
Um dos principais pontos de preocupação é a disseminação de mitos sobre o fármaco. A falsa ideia de que é apenas um emagrecedor sem impacto no treino circula entre praticantes de atividades físicas. De acordo com Vuolo, o Mounjaro interfere diretamente no apetite, ingestão proteica, hidratação e resposta energética ao exercício.
O nutrólogo ressalta que a tirzepatida não é um recurso ergogênico. Quando utilizada inadequadamente, tem potencial de comprometer rendimento, massa magra e recuperação muscular.
Efeitos positivos e negativos na prática clínica
Na prática clínica, o especialista observa efeitos que dependem completamente da indicação e acompanhamento. Em pacientes bem selecionados, há melhora no controle glicêmico e redução da inflamação metabólica. Também ocorrem perda de gordura corporal e melhor adesão ao plano alimentar.
Em contrapartida, indivíduos treinando com intensidade enfrentam efeitos colaterais comuns. Queda de desempenho, fadiga precoce, dificuldade em atingir metas de proteínas e carboidratos compõem o quadro. Há ainda maior risco de perda de massa muscular.
“O impacto pode ser benéfico ou prejudicial, depende completamente de como, por quem e com qual objetivo o medicamento é utilizado”, reforçou o profissional.
Indicações apropriadas e contraindicações
Fábio Vuolo detalha que a prescrição faz sentido em pacientes com obesidade e resistência à insulina. Diabetes tipo 2, síndrome metabólica e histórico de falha em abordagens tradicionais também justificam o uso, especialmente com dificuldade de adesão a protocolos nutricionais.
Em contrapartida, o uso é inadequado em atletas com baixo percentual de gordura. Pessoas com histórico de transtornos alimentares ou indivíduos sem avaliação metabólica prévia também não devem utilizar o fármaco.
“Para atletas de alto rendimento, existem outras ferramentas terapêuticas muito mais adequadas e eficientes quando bem indicadas”, explicou.
Riscos do uso sem monitoramento
O especialista aponta riscos consideráveis quando o Mounjaro é utilizado sem acompanhamento profissional. Perda acelerada de massa magra, desidratação e hipoglicemia representam sérias preocupações. Distúrbios gastrointestinais, deficiências nutricionais e riscos cardiovasculares em perfis não avaliados também são riscos significativos.
Para Vuolo, o maior erro é tratar um fármaco de impacto metabólico tão profundo como termogênico simples. “É uma medicação capaz de transformar a saúde, e justamente por isso precisa ser tratada com seriedade, responsabilidade e acompanhamento técnico”, ressaltou.
Uso seguro em pessoas fisicamente ativas
O nutrólogo reforça que é possível fazer uso seguro do Mounjaro em pessoas fisicamente ativas. Porém, exige um conjunto de estratégias simultâneas e avaliação metabólica completa. Plano alimentar hiperproteico com ajuste preciso de carboidratos é fundamental.
Monitoramento contínuo da massa magra, carga de treino adaptada e suplementação individualizada completam a estrutura necessária. Correção de micronutrientes e hidratação rigorosa também são imprescindíveis.
“Sem essa estrutura, o risco supera qualquer potencial benefício”, alerta o especialista.
Mensagem final ao público
Em sua mensagem final, o médico Fábio Vuolo é direto com quem treina e cogita usar tirzepatida com foco em estética e performance. “O Mounjaro é, hoje, a ferramenta mais comentada e inovadora do emagrecimento. Com estratégia nutricional e treino bem feitos, ele se torna ferramenta terapêutica extremamente eficiente para quem realmente precisa.”
Contudo, adverte: “Fora de uma indicação correta e sem acompanhamento, pode custar desempenho, massa muscular e até a saúde”.
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