*Da Redação*
Pesquisadores brasileiros e internacionais descobriram um mecanismo de fossilização desconhecido ao estudar pterossauro encontrado na Formação Romualdo, Bacia do Araripe, Ceará. O fóssil, preservado há aproximadamente 113 milhões de anos, foi analisado por equipe que publicou resultados na revista iScience. A descoberta desafia conceitos tradicionais sobre preservação de fósseis notáveis.
Preservação Excepcional com Biomoléculas Intactas
O espécime mantém estrutura tridimensional completa e conservou biomoléculas extremamente frágeis, incluindo resquícios de esteroides. Essa preservação é considerada rara mesmo entre os fósseis mais importantes globalmente. Paleontólogos acreditavam que fósseis bem preservados exigiam ambientes com baixa atividade microbiana para evitar decomposição bacteriana.
A nova pesquisa comprova que essa lógica não é universal ou obrigatória para preservação excepcional. Os achados abrem novas perspectivas sobre os mecanismos que protegem estruturas delicadas ao longo de milhões de anos geológicos. O fóssil desafia compreensões convencionais consolidadas na área.
Análise Colaborativa entre Brasil e Austrália
O pterossauro pertence à família Anhangueridae, réptil alado que dominava céus do período Cretáceo. Diferentes de dinossauros, integra grupo evolutivo distinto. A asa foi escavada em 2012 durante projeto financiado pelo CNPq e permaneceu exposta no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri.
Em 2023, pesquisadores brasileiros e australianos iniciaram colaboração aplicando novas técnicas analíticas que revelaram resultados extraordinários. Apenas pequenos fragmentos foram utilizados nos experimentos, preservando o fóssil íntegro no Brasil durante todo o processo de investigação.
Brasil Consolida Liderança em Paleontologia Internacional
Conforme Renan Bantim, doutor em Geociências e pesquisador da Universidade Regional do Cariri, a descoberta amplia o entendimento sobre formação de fósseis excepcionais. O achado reforça o protagonismo que o Brasil vem conquistando nas últimas décadas em paleontologia global. A Bacia do Araripe, em Mato Grosso e Ceará, permanece como local privilegiado para investigações científicas.
Fonte: Olhar Digital


