Da Redação
A frota de carros 100% elétricos no Brasil deve crescer, em média, 26,1% até 2040. A projeção integra o estudo “Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040”, realizado pela LCA Consultores para o Instituto MBCBrasil. A queda no preço das baterias, maior disponibilidade de modelos e avanço da infraestrutura de recarga estimulam o interesse dos consumidores.
Apesar do cenário positivo, o levantamento identifica desafios significativos. A expansão da rede de carregamento e a capacidade da infraestrutura elétrica para atender à nova demanda são os principais obstáculos a serem superados nos próximos anos.
Fatores que impulsionam a expansão dos veículos elétricos
Três elementos principais sustentam o crescimento projetado dos carros 100% elétricos no Brasil. A redução gradual do custo das baterias, hoje o componente mais oneroso na fabricação dos veículos, lidera esse processo. A ampliação da gama de modelos disponíveis no mercado nacional também contribui para a expansão.
O avanço progressivo da infraestrutura de carregamento complementa esses fatores. Os dados indicam que a popularização será mais intensa nas regiões Sul e Sudeste, onde há maior poder aquisitivo e rede elétrica mais desenvolvida. Essas regiões também concentram a maior parte da frota e da atividade econômica nacional.
O estudo engloba carros elétricos leves para uso particular, frotas comerciais e logísticas. Mesmo com o crescimento estimado de 26,1% ao ano, veículos 100% elétricos permanecerão como parcela reduzida da frota total, pois híbridos seguem mais populares no mercado brasileiro.
Obstáculos para a expansão da frota elétrica
A ampliação da rede de carregamento é o principal desafio identificado pelo levantamento. O país precisa atingir aproximadamente 807 mil pontos de recarga até 2040, considerando estruturas públicas e privadas combinadas. Esse aumento de 44% em relação à capacidade atual requer investimentos entre R$ 20,7 bilhões e R$ 24,9 bilhões até o final do período analisado.
A qualidade da infraestrutura também apresenta sensibilidade crítica. A confiabilidade e disponibilidade da rede elétrica para conectar e sustentar novos pontos de recarga demandam preparação antecipada. Embora a demanda atual seja baixa, as redes precisam estar prontas para absorver carga maior e concentrada em determinados horários e regiões.
Regulamentações claras e padronizações de segurança para carregadores rápidos também são necessárias. Essas normas garantem interoperabilidade entre equipamentos, protegem usuários e asseguram confiança aos investidores no segmento de recarga. A falta desses marcos regulatórios representa obstáculo considerável à expansão planejada.
Políticas públicas como acelerador da eletrificação
Os consultores da LCA enfatizam que políticas de incentivo serão fundamentais para acelerar a adoção dos carros elétricos. Medidas estratégicas incluem redução ou isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para elétricos e benefícios em pedágios. Estímulos complementares à eletrificação da frota também são considerados essenciais.
Esses incentivos reduzem o custo total de propriedade dos veículos 100% elétricos e aumentam sua competitividade frente a combustão e híbridos. Políticas coordenadas estimulam a instalação de pontos de recarga em rodovias, estacionamentos, condomínios, garagens corporativas e frotas de serviços urbanos estrategicamente localizadas.
A combinação de queda de custo das baterias, oferta expandida de modelos, expansão planejada da infraestrutura de recarga e incentivos fiscais forma o cenário mais favorável para concretizar o crescimento médio de 26,1%. Os pesquisadores ressaltam que a transição para mobilidade de baixo carbono será gradual, exigindo coordenação entre governo, empresas e sociedade civil.
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