Da Redação
Pesquisa internacional recente alerta que a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), sistema de correntes oceânicas que aquece o Hemisfério Norte, incluindo a Corrente do Golfo, pode entrar em colapso completo mais cedo que o estimado. O estudo, coordenado por cinco institutos climáticos e divulgado na revista Environment Research Letters, indica que o ponto crítico pode ocorrer nas próximas décadas.
AMOC: o motor climático do Atlântico Norte
A AMOC funciona como uma gigantesca “esteira transportadora” levando água quente dos trópicos para o norte. Esse sistema aquece a Europa Ocidental, sendo fundamental para o clima da região.
O estudo revela cronograma acelerado para o colapso. Enquanto relatório anterior do IPCC indicava confiança moderada na estabilidade do sistema, nova modelagem que projeta até 2500 sugere que o ponto de não retorno pode ser ultrapassado proximamente.
Consequências dramáticas para Europa e Estados Unidos
Após o ponto de inflexão, mecanismo de feedback tornaria o desligamento da AMOC inevitável. A paralisação total poderia ocorrer entre cinquenta e cem anos depois do gatilho inicial.
O noroeste europeu enfrentaria uma “pequena era do gelo”, com temperaturas abaixo de menos trinta graus Celsius. O Mar do Norte congelaria durante os invernos rigorosos dessa nova dinâmica climática regional.
A redução da umidade levaria a secas severas e desertificação em partes do continente europeu. Nos Estados Unidos, o nível do mar subiria nas costas leste, aumentando riscos de inundações costeiras.
Causas científicas e alertas globais
O aquecimento global reduz a densidade da água oceânica no Atlântico Norte, impedindo seu afundamento. Esse processo é motor fundamental da AMOC e sua interrupção causaria o colapso do sistema.
O derretimento acelerado das calotas polares adiciona água doce ao sistema, agravando o problema. Esse fenômeno interfere na salinidade necessária para a circulação oceânica funcionando adequadamente.
Cortes drásticos nas emissões de gases de efeito estufa podem reduzir o risco, mas pode ser tarde demais. Países como Islândia já classificam o enfraquecimento da AMOC como ameaça existencial à segurança nacional.
Perspectiva dos pesquisadores
“A AMOC é como uma fogueira com cada vez menos combustível. Se pararmos de jogar novos blocos de madeira no fogo, ele não se apaga imediatamente, mas queima lentamente por algum tempo”, explica Sybren Drijfhout, autor principal do estudo.
Para a AMOC, esse “tempo de queima lenta” é de aproximadamente cinquenta anos após o ponto crítico. Essa estimativa reforça a urgência de ações climáticas globais imediatas.
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