Da Redação
A inteligência artificial avança na recriação realista de pessoas falecidas através de fotos, vídeos e áudios. A prática, denominada necromancia digital, gera intenso debate sobre ética, consentimento e direitos de imagem. Mato-grossenses discutem o tema em redes sociais com crescente interesse.
Tecnologia em expansão
A necromancia digital tem recreado artistas, atletas e políticos já falecidos em vídeos e entrevistas fictícias. O termo referencia práticas antigas de comunicação com mortos, ressignificado pela tecnologia contemporânea. Conteúdos simulando salvamento de celebridades como Marília Mendonça e Paulo Gustavo circulam amplamente online.
A televisão também adotou o recurso em produções recentes. O SBT utilizou inteligência artificial no especial de Natal 2025 de A Praça é Nossa para reunir Carlos Alberto de Nóbrega com seu pai Manoel de Nóbrega em cena única. A iniciativa gerou reações tanto positivas quanto críticas no público.
Questões legais e comerciais
As recriações reabrem discussões sobre uso comercial de imagens de falecidos e autorização necessária. Surge também fenômeno dos robôs de luto, denominados grief tech, que simulam presença através de avatares e conversas. Essas ferramentas utilizam registros digitais para oferecer conforto aos familiares.
Perspectivas de especialistas
Psicanalista Christian Dunker aponta efeitos variáveis conforme utilização da tecnologia. Recursos podem auxiliar pessoas sem oportunidade de despedida ou resolução de conflitos anteriores à morte. Entretanto, uso prolongado pode dificultar aceitação da perda e prolongar luto.
A simulação artificial de permanência impede enfrentamento natural do luto, alerta o especialista. Debate permanece aberto entre comunidade científica e sociedade sobre limites éticos dessa tecnologia emergente.
Fonte: Terra Brasil Notícias
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