Da Redação
Um novo estudo preliminar sugere transformar o Sol em gigantesco telescópio natural. A proposta aproveitaria efeito previsto pela relatividade geral de Albert Einstein para observações espaciais revolucionárias.
Pesquisadores analisam sistemas de propulsão capazes de levar uma espaçonave até região específica do espaço. A missão poderia alcançar o destino em menos de 30 anos utilizando tecnologia adequada.
Como funcionaria o telescópio solar
De acordo com a relatividade geral, a massa curva o espaço-tempo significativamente. Objetos massivos como estrelas produzem curvaturas capazes de desviar luz, fenômeno chamado lente gravitacional.
Astrônomos já observam regularmente esse efeito quando luz de objetos distantes é ampliada por corpo massivo no caminho. Diferentemente de telescópios convencionais, lentes naturais não são ajustáveis nem reposicionáveis.
Cientistas propõem posicionar instrumentos no lado oposto ao Sol e na posição correta. Esse método, conhecido como lente gravitacional solar (SGL), aproveitaria a linha focal que se estende pelo espaço.
Origem e viabilidade da ideia
O conceito remonta a 1979, quando Von Russel Eshleman descreveu a proposta em artigo científico. Ele previu amplificação de radiação ao longo de linha focal semi-infinita com eficiência extraordinária.
Um telescópio desse tipo permitiria observar superfícies de planetas alienígenas, superando desempenho de qualquer instrumento existente. Seria mais barato que construir telescópio artificial equivalente, porém extremamente complexo.
As operações científicas situariam as espaçonaves entre 650 a 900 unidades astronômicas do Sol. Nessa região, a nave precisaria manter apontamento preciso e realizar movimentos controlados para reconstrução de imagem.
Desafios técnicos extremos
O fluxo solar naquela distância seria 420 mil a 810 mil vezes mais fraco que próximo à Terra. Energia solar seria insuficiente para comunicações de alta taxa ou controle preciso da sonda.
Sistemas de energia por radioisótopos ou fissão nuclear seriam necessários durante toda fase científica. A sonda Voyager 1, mais distante já lançada, está apenas a cerca de 170 unidades astronômicas após quase 50 anos.
Propulsão: a chave para viabilizar a missão
O cientista Slava G. Turyshev do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA analisou opções de propulsão. Propulsão química tradicional seria insuficiente mesmo com assistências gravitacionais.
Velas solares emergiram como forma mais plausível de atingir distância desejada em tempo viável. O método exigiria aproximação arriscada do Sol entre 0,04 e 0,08 unidades astronômicas.
Com essa abordagem, a espaçonave alcançaria 650 unidades astronômicas em 25 a 40 anos. Limitação: velas solares fornecem pouca potência, restringindo tamanho da carga científica.
Propulsão elétrica nuclear permitiria transportar cargas mais pesadas. Combinação com propulsão térmica nuclear poderia alcançar mesma distância em menos de 20 anos.
Cronograma realista para implementação
Ambas tecnologias ainda estão em estágio inicial de desenvolvimento. Caso NASA decida iniciar missão em breve, cronograma dependerá diretamente do avanço desses sistemas.
Turyshev explicou que início crível entre 2035 e 2040 requer alinhar escolha da arquitetura com demonstrações previstas para início dos anos 2030.
Velas solares encontram-se um pouco mais avançadas já sendo testadas no espaço, embora nem sempre com sucesso. Projeto ainda está longe de ser confirmado oficialmente.
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