Da Redação
O emissário do presidente americano Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, afirma que um acordo para encerrar o conflito está “muito próximo”. Conforme Kellogg, ambos os lados precisam resolver apenas duas questões fundamentais. O Kremlin, contudo, condiciona qualquer entendimento a mudanças “radicais” no plano apresentado por Washington.
Trump recebeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na Casa Branca. Ele reafirmou seu desejo de ser recordado como um presidente “pacificador”. Para o republicano, encerrar o conflito mais devastador da Europa desde 1945 permanece como o grande desafio de sua política externa.
A Rússia iniciou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. O ataque ampliou um conflito que já durava oito anos entre separatistas pró-Moscou e forças ucranianas no Donbas, região formada por Donetsk e Luhansk.
Kellogg menciona “últimos 10 metros” nas negociações
Kellogg, que deixará o cargo em janeiro, participou do Fórum de Defesa Nacional Reagan, na Califórnia. Durante o evento, declarou que as tratativas estão nos “últimos 10 metros”, fase que, segundo ele, apresenta maiores dificuldades.
O emissário demonstrou otimismo. “Estamos quase lá”, afirmou Kellogg. Completou: “Estamos muito, muito perto”. O formato geral do acordo já está definido, faltando apenas resolver os pontos mais sensíveis.
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Donbas e Zaporizhzhia emperram as negociações
Segundo Kellogg, dois temas bloqueiam o desfecho: o futuro do Donbas e o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia. A planta representa a maior instalação nuclear europeia e está sob controle das forças russas.
O Kremlin utiliza a expressão “problemas territoriais” para se referir às ambições sobre o Donbas. Moscou reivindica toda a região, embora a Ucrânia ainda controle aproximadamente 5.000 km². Quase todos os países reconhecem o Donbas como território ucraniano legítimo.
O presidente Zelensky rejeita a cessão simples do restante de Donetsk. Argumenta que qualquer entrega sem referendo seria ilegal. Além disso, forneceria à Rússia base para ataques ainda mais profundos contra a Ucrânia no futuro.
Sobre Zaporizhzhia, o impasse mistura disputa territorial com risco nuclear. A usina é essencial na matriz energética ucraniana. Porém, qualquer acidente em zona de conflito causaria impacto regional grave. Por isso, seu status tornou-se decisivo para qualquer plano de paz.
Kellogg resumiu: “Se conseguirmos resolver essas duas questões, o restante funcionará muito bem”.
Moscou exige alterações “radicais” nos documentos americanos
Na semana anterior, Vladimir Putin recebeu o emissário especial de Trump Steve Witkoff e o genro de Trump Jared Kushner para aproximadamente quatro horas de conversas em Moscou. Após esse encontro, Yuri Ushakov, principal assessor de política externa do Kremlin, confirmou que discutiram “problemas territoriais”.
Neste domingo, a mídia russa citou Ushakov novamente. Declarou que os Estados Unidos precisam fazer “mudanças sérias, eu diria, radicais em seus documentos” sobre a Ucrânia. Não detalhou, porém, quais pontos Moscou deseja alterar.
Na prática, o comunicado sinaliza que a Rússia rejeita o pacote atual. As garantias sobre território e segurança ainda não atendem às exigências do Kremlin.
Atuação de Kushner e contatos com Zelensky
Os canais paralelos de negociação mantêm-se ativos. No sábado, Zelensky afirmou ter tido conversa longa e “substancial” com Witkoff e Kushner por telefone. Não revelou o conteúdo completo, mas confirmou abordagem de pontos centrais para possível acordo.
O Kremlin sinaliza que vê Kushner como figura-chave na construção do texto final. Assessores de Putin esperam que o genro de Trump lidere a redação de um esboço aceitável para todas as partes, apesar de não ocupar cargo diplomático formal.
O cenário atual mistura sinais contraditórios. Emissários de Washington afirmam que o fim da guerra na Ucrânia está “muito perto”. Moscou, contudo, insiste em mudanças profundas e mantém pressão sobre temas territoriais. Enquanto Donbas e Zaporizhzhia permanecerem sem solução, o conflito segue em aberto — embora com avanços mais evidentes na mesa de negociação.
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