Da Redação
Hostilidade no ambiente de trabalho
A brasileira Ana Beatriz Machado, de 30 anos, obteve uma vitória judicial histórica após sofrer assédio racial na Inglaterra devido ao seu sotaque e nacionalidade. A garçonete, natural de Sorocaba (SP), trabalhava na unidade de Liverpool da rede Coyote Ugly quando colegas e superiores iniciaram uma série de ataques verbais. Segundo os autos do processo, funcionários afirmavam que “não gostavam da voz” da brasileira e alegavam, sem provas, que os clientes não conseguiam compreendê-la.
Dessa forma, o tribunal trabalhista britânico concluiu que o ambiente de trabalho tornou-se hostil e humilhante. Consequentemente, a juíza do caso determinou que a gerência agiu de forma discriminatória, influenciada diretamente pela origem estrangeira da profissional. Portanto, a instituição reconheceu que a conduta dos colaboradores configurou assédio racial sistemático.
Acusações infundadas e demissão
Além dos ataques ao sotaque, Ana Beatriz enfrentou uma demissão traumática em dezembro de 2022. Na ocasião, a gerência acusou a brasileira de desviar valores do caixa para enviar dinheiro aos familiares no Brasil. Todavia, a Justiça desconsiderou as alegações de roubo por falta de evidências. Nesse sentido, a sentença destacou que a gerente assistente permitiu que preconceitos sobre a nacionalidade de Ana guiassem a decisão de desligá-la do cargo.
Por isso, a vítima decidiu levar o caso adiante, mesmo enfrentando sérias dificuldades financeiras. Como a brasileira é mãe solo de uma criança com cidadania britânica, ela possui o direito de residência na Grã-Bretanha, mas a perda do emprego quase comprometeu sua subsistência.
Impactos psicológicos e superação
O impacto emocional do preconceito foi severo para a trabalhadora. Em depoimento ao jornal Telegraph, Ana relatou que desenvolveu quadros de ansiedade e depressão profunda. Afinal, a falta de renda a obrigou a buscar auxílio em bancos de alimentos para sustentar sua filha de cinco anos. “A situação me impediu de comer e dormir”, desabafou a brasileira durante o processo.
Atualmente, Ana Beatriz trabalha em uma unidade da rede Hooters e aguarda a definição do valor total da indenização. Certamente, o desfecho do caso serve como um precedente importante para imigrantes que sofrem preconceito linguístico no exterior. Dessa forma, a justiça reforça que o sotaque ou a origem nacional não podem ser utilizados como ferramentas de exclusão profissional.
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