Da Redação
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelas Forças Especiais dos Estados Unidos. A transição ocorreu sem maiores perturbações na estrutura política do país caribenho.
A nova presidente tem exercido suas funções com intensidade, coordenando reuniões ministeriais, recebendo diplomatas internacionais e concedendo audiências à imprensa no Palácio de Miraflores, sede do poder executivo.
#### Mudanças na estrutura governamental
Sob a liderança de Rodríguez, alterações significativas começam a se desenhar no aparato estatal. A reformulação do gabinete inclui substituições em postos estratégicos de segurança e economia.
O estilo de gestão apresenta diferenças notáveis em relação ao período anterior. Os discursos extensos foram substituídos por comunicações mais diretas e objetivas. Servidores públicos receberam autorização para retornar ao X.
David Smilde, especialista em Venezuela pela Universidade Tulane, avalia que Rodríguez “está andando na corda bamba, tentando agradar aos EUA ao mesmo tempo em que busca manter o chavismo unido”.
#### Nomeações estratégicas implementadas
Três dias após a prisão de Maduro, Rodríguez promoveu Calixto Ortega Sánchez, presidente do banco central, para vice-presidente do Ministério da Economia. O cargo representa uma posição de influência sobre a estratégia econômica governamental.
Gustavo González López, ex-ministro do Interior, foi designado para comandar a Guarda de Honra Presidencial. Essa nomeação substitui Javier Marcano Tábata, criticado por falhas na segurança de Maduro.
Juan Escalona, deputado e aliado próximo do presidente deposto, assumiu o Ministério da Presidência. O cargo funciona como principal elo entre a presidência e o Poder Executivo, facilitando implementação de políticas governamentais.
#### Possíveis ajustes futuros
Fontes próximas ao governo indicam revisão de cargos na Petróleos de Venezuela SA e no Ministério do Petróleo. Rodríguez acumula atualmente a pasta petrolifera.
Félix Plasencia, que participou de reunião com autoridades do governo Trump em Washington, é considerado para ministro das Relações Exteriores ou embaixador nos EUA.
Dois economistas equatorianos, Patricio Rivera e Fausto Herrera, assessores de Rodríguez desde 2019, desempenham papéis centrais como interlocutores com credores e investidores internacionais.
Alex Saab, empresário colombiano e aliado tradicional de Maduro, deve ser afastado de suas atribuições na indústria e produção nacional, conforme indicam fontes governamentais.
#### Mudanças nas Forças Armadas
Especulações sobre aposentadoria do ministro da Defesa, Vladimir Padrino, intensificaram-se desde a remoção de Maduro. Os EUA ofereceram recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levem à prisão dele.
Rodríguez divulga publicamente reuniões com Padrino, destacando discussões sobre preservação da paz. A presidente interina agradece às Forças Armadas pelo compromisso em manter estabilidade.
#### Libertação de presos políticos
O governo continua liberando presos políticos em processo celebrado pela administração Trump. Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, confirmaram continuidade das soltas.
Até quarta-feira, 406 pessoas haviam sido libertadas do sistema carcerário venezuelano. Destas, 194 foram soltas em dezembro ainda sob gestão Maduro.
Dos aproximadamente 200 presos previstos para libertação neste mês, organizações independentes confirmaram apenas metade até o momento. Cidadãos norte-americanos e estrangeiros estão entre os liberados.
Diosdado Cabello, ministro do Interior, coordena as operações de libertação. Fontes indicam que Cabello entregou pessoalmente vários prisioneiros internacionais de perfil elevado.
#### Consolidação de unidade política
Rodríguez e Cabello mantêm histórico de tensão, mas demonstram alinhamento em reuniões privadas. Cabello declarou publicamente lealdade à presidente interina desde o início do processo.
Ambos aparecem frequentemente juntos com Jorge Rodríguez em demonstração de coesão governamental. Cabello reforçou sua segurança pessoal após a operação militar norte-americana.
Os programas televisivos de Cabello vêm sendo gravados fora do estúdio habitual. Transmissões de suas coletivas de imprensa sofrem atrasos, medidas similares às adotadas por Maduro antes de sua captura.
Os EUA oferecem recompensa de 25 milhões de dólares por Cabello, segundo informações públicas.
Líderes do partido chavista receberam orientações claras sobre manutenção da unidade política. “A unidade é a primeira coisa que deve ser preservada”, teriam ouvido funcionários em reunião privada realizada dias após prisão de Maduro.
Smilde ressalta que Rodríguez está “tentando priorizar a unidade em vez da mudança” neste período de transição.
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