Da Redação
Delegações dos Estados Unidos e Irã encerraram rodada de negociações em Islamabad sem avanço concreto. As conversas, que duraram mais de vinte horas, representam o primeiro encontro direto entre autoridades dos dois países em mais de uma década.
O vice-presidente americano JD Vance e o presidente do Parlamento iraniano Mohammad Baqer Qalibaf lideraram as discussões no luxuoso Serena Hotel. O Paquistão atuou como mediador, com o comandante do Exército Asim Munir circulando entre as delegações para manter o diálogo.
Clima tenso durante as conversas
Fontes iranianas descreveram a atmosfera como pesada e hostil durante boa parte das negociações. Em determinado momento, vozes alteradas puderam ser ouvidas fora da sala principal antes que mediadores paquistaneses pedissem pausa para chá.
Representantes americanos circulavam com frequência entre a sala de negociações e sua ala separada. Celulares não foram permitidos no espaço principal, obrigando delegados a sair nos intervalos para transmitir mensagens aos respectivos governos.
Questões críticas travam acordo
Três pontos principais impediram um entendimento: o programa nuclear iraniano, o Estreito de Ormuz e o acesso aos ativos congelados de Teerã. Washington exige o término do enriquecimento de urânio iraniano e o desmantelamento de instalações nucleares.
O Irã demanda garantias de não agressão, suspensão de sanções e reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio. Fontes envolvidas afirmaram que as partes ficaram “muito perto” de um acordo, alcançando cerca de oitenta por cento do entendimento.
Desconfiança mútua persiste
O chanceler iraniano Abbas Araqchi questionou a confiabilidade americana durante discussões sobre garantias de não agressão. Ele relembrou ataques norte-americanos que ocorreram poucos dias após negociações anteriores em Genebra.
Autoridades americanas expressaram preocupação com táticas de protelação iraniana e relutância em fazer concessões. Uma fonte da Casa Branca afirmou que Washington não alterou sua posição vermelha: o Irã nunca poderá possuir arma nuclear.
Porta aberta para continuidade
Apesar dos impasses, ambos os lados sinalizaram disposição para prosseguir com o diálogo. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif afirmou que “ainda há um esforço total para resolver as questões” entre as nações.
O presidente Donald Trump declarou que o Irã deseja fechar um acordo. Uma autoridade norte-americana confirmou progresso contínuo nas tentativas de chegar a um entendimento, com engajamento ainda em andamento entre as partes.
Motivações para desescalada
Os ataques norte-americanos são impopulares internamente e dificilmente derrubaria o sistema teocrático iraniano. O bloqueio do Estreito de Ormuz prejudica a economia global e alimenta inflação nos EUA.
Danos da guerra fragilizam ainda mais a já abalada economia iraniana, enfraquecendo autoridades semanas após protestos contidos apenas com repressão violenta. Ambos os lados possuem incentivos significativos para negociar paz.
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