Da Redação
Organizações internacionais de direitos humanos informam que Erfan Soltani, 26 anos, será executado pelo governo iraniano na quarta-feira, 14 de janeiro. O jovem foi preso em 8 de janeiro em sua residência em Kurtis por participar de manifestações contra o regime.
Acusação grave sem direito à defesa
Soltani recebeu condenação por Moharebeh, crime traduzido como “inimizade contra Deus”, que prevê pena capital no Irã. Segundo a organização Hengaw Organization for Human Rights, o julgamento foi acelerado e ocorreu sem presença de advogados.
A entidade relata que o jovem não teve acesso a direitos básicos durante o processo. A família ficou dias sem notícias, recebendo comunicação apenas no fim de semana para informar sobre a execução já confirmada.
Reunião de dez minutos
Conforme denunciam as organizações, os familiares tiveram apenas dez minutos para se despedir de Erfan Soltani antes da execução. A irmã do condenado, advogada de profissão, tentou recorrer judicialmente contra a sentença de morte.
As autoridades iranianas não permitiram acesso aos arquivos do processo à defesa. Familiares também teriam recebido ameaças caso falassem publicamente sobre o caso, segundo as entidades.
Vida antes da prisão
O site IranWire informou que Erfan trabalhava na indústria têxtil e havia iniciado recentemente em uma empresa privada. Nas redes sociais, demonstrava interesse por esportes, musculação, moda e estilo pessoal.
Uma fonte próxima ao caso relatou que Soltani recebeu mensagens ameaçadoras de agentes de segurança antes da prisão. Ele teria avisado a família que estava sendo monitorado, mas recusou-se a cessar a participação nos protestos.
Precedentes de ameaças como tática
A organização Iran Human Rights ressalva que a República Islâmica já utilizou anúncios de sentenças de morte como estratégia para coibir manifestações e pressionar familiares. Em 2019, autoridades usaram essa tática no caso do manifestante Abbas Deris.
Naquele caso, as autoridades disseram aos familiares que Deris havia sido condenado por assassinato para forçar pedido de perdão, configurando confissão de culpa. A estratégia representa padrão recorrente nas práticas judiciais iranianas.
Contexto dos protestos
Desde 28 de dezembro, manifestações eclodem no Irã contra condições econômicas precárias. Os protestos iniciaram em Teerã e se expandiram para outras cidades do país. As demonstrações crescem continuamente contra o regime.
Dados da Iran Human Rights indicam pelo menos 648 mortos, enquanto outras fontes apontam mais de dois mil óbitos. A mídia estatal iraniana registra pelo menos 121 mortes entre militares, policiais e membros do judiciário iranianos.
Resposta do regime
Ali Khamenei, líder supremo iraniano, declarou que a República Islâmica não recuará diante das manifestações. O presidente Masoud Pezeshkian convocou apoiadores governamentais para impedir protestos antigovernamentais nos bairros.
As autoridades bloquearam a internet do país como resposta às mobilizações. A empresa NetBlocks registrou que 99% da rede está inacessível em território iraniano, prejudicando acesso à informação.
Bloqueio à conectividade
A Iran Human Rights informou que apenas número limitado de cidadãos consegue acessar internet via Starlink durante o bloqueio. Também foram relatadas interferências nos receptores do serviço de conectividade por satélite.


