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Mundo

Japão diz que jatos chineses apontaram radares para aeronaves japonesas

Governo japonês fala em ato “perigoso” e “extremamente lamentável”, protesta a Pequim e promete resposta “resoluta e calma”

Por Roberto de Lira Publicados 7 de dezembro de 2025
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4 Min. de Leitura
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Japão diz que jatos chineses apontaram radares para aeronaves japonesas
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Da Redação

Conteúdo
Japão protesta e classifica ação chinesa como “ato perigoso”Ministro da Defesa promete resposta “resoluta e calma”China nega e acusa aviões japoneses de “atrapalhar” exercícioEpisódio amplia clima de desconfiança no Indo-Pacífico

O governo do Japão afirmou neste domingo (data local) que caças chineses apontaram seus radares para aeronaves militares japonesas em dois incidentes considerados “perigosos” perto das ilhas de Okinawa. A China contestou o relato e acusou aviões japoneses de atrapalhar um exercício de sua marinha na região.

Segundo Tóquio, os episódios ocorreram no sábado, em área próxima ao arquipélago de Okinawa, no sul do Japão, zona sensível das disputas no Mar do Sul da China e entorno do Estreito de Miyako.

Japão protesta e classifica ação chinesa como “ato perigoso”

A primeira-ministra Sanae Takaichi condenou publicamente a atitude dos militares chineses. Em declaração a repórteres, ela disse que os caças da China “iluminaram” aeronaves japonesas com radar em duas ocasiões.

“Essas iluminações de radar são um ato perigoso que foi além do que é necessário para o voo seguro das aeronaves”, afirmou Takaichi. Em seguida, ela informou que o país apresentou um protesto formal a Pequim sobre o que classificou como um incidente “extremamente lamentável”.

A prática de apontar o radar de tiro para outra aeronave costuma ser interpretada como gesto hostil, já que pode preceder o lançamento de mísseis. Por isso, o Japão tratou a ação como fator de risco para a segurança aérea e para a estabilidade regional.

Leia Também: Fim da guerra na Ucrânia? Enviado dos EUA diz que desfecho está “muito próximo”

Ministro da Defesa promete resposta “resoluta e calma”

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, também se manifestou. Em encontro com o ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, em Tóquio, ele disse que o país pretende responder “de forma resoluta e calma” à conduta chinesa.

Koizumi ressaltou que o Japão buscará manter a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico, mas não deixará de reagir a movimentos considerados provocativos. A aproximação entre Tóquio e Canberra, nesse contexto, reforça a cooperação de defesa entre Japão, Austrália e outros parceiros regionais.

China nega e acusa aviões japoneses de “atrapalhar” exercício

Do lado chinês, a versão é oposta. O porta-voz da marinha do país, coronel Wang Xuemeng, rejeitou as acusações japonesas. Segundo ele, aeronaves do Japão teriam se aproximado repetidas vezes e atrapalhado a marinha chinesa.

Wang afirmou que os militares da China realizavam um treinamento de voo baseado em porta-aviões, exercício já anunciado previamente, a leste do Estreito de Miyako. Nessa narrativa, os caças chineses apenas responderam à presença e à postura das aeronaves japonesas.

O Estreito de Miyako é rota estratégica para as forças navais chinesas, que usam a passagem para acessar o Pacífico Ocidental. Ao mesmo tempo, o Japão monitora de perto a região, por enxergar ali um ponto-chave para sua segurança nacional.

Episódio amplia clima de desconfiança no Indo-Pacífico

O novo atrito ocorre em meio a um quadro de crescente desconfiança entre Japão e China. Nas últimas semanas, Pequim promoveu grandes exercícios navais, reunindo navios militares de vários países do Leste Asiático em uma demonstração de força marítima.

Incidentes envolvendo aviões e navios militares em áreas disputadas elevam o risco de erro de cálculo. Analistas alertam que qualquer movimento mal interpretado, como o uso de radar de tiro, pode provocar uma escalada rápida, mesmo sem intenção clara de confronto.

Enquanto Japão e China trocam acusações, parceiros regionais observam com atenção a evolução do caso. A expectativa é de que canais diplomáticos e militares mantenham diálogo para evitar novos incidentes e, assim, reduzir a temperatura em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

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Roberto de Lira 7 de dezembro de 2025
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