Da Redação
Um osso da garganta resolveu uma controvérsia que durava décadas na paleontologia. Estudo publicado na revista Science analisou o hioide de fóssil descoberto em 1942. Os anéis de crescimento no osso indicaram que o indivíduo tinha entre 15 e 18 anos e era adulto maduro. Isso confirma que o Nanotyrannus era uma espécie distinta que conviveu com o Tiranossauro Rex.
Pesquisa anterior de outubro já apontava diferenças anatômicas entre as duas espécies. Os dois trabalhos formam um “golpe duplo” conclusivo contra a hipótese do Nanotyrannus ser apenas fase juvenil do T. rex. Agora fica comprovado que dois grandes predadores compartilharam o ecossistema norte-americano no final do período Cretáceo.
Análise do hioide fornece a prova definitiva de maturidade
A descoberta decisiva veio da análise detalhada do hioide, osso da estrutura da garganta. Este osso preserva linhas de crescimento anuais, similares aos anéis de uma árvore. Pesquisadores liderados pelo paleontólogo Christopher Griffin, de Princeton, constataram que o espécime havia cessado seu crescimento. “Isso mostra que o Nanotyrannus é uma espécie distinta que viveu ao lado do T. rex”, afirmou Griffin.
O fóssil analisado é o holótipo da espécie, exemplar de referência oficial para sua descrição científica. Está armazenado no Museu de História Natural de Cleveland desde sua descoberta em Montana. A paleontóloga Caitlin Colleary, autora sênior do estudo, destacou a importância dos dois trabalhos publicados em sequência.
Dois predadores distintos dividiam o ecossistema do Cretáceo
A confirmação redefine nossa compreensão do período Cretáceo Superior e sua biodiversidade. Enquanto o Tiranossauro Rex era o maior carnívoro terrestre, o Nanotyrannus tinha cerca de um décimo de sua massa. Porém era um caçador ágil e feroz, ocupando nicho ecológico diferente no mesmo ambiente.
Os dois dinossauros viveram no oeste da América do Norte até o impacto do asteroide há 66 milhões de anos. A descoberta não apenas resolve questão taxonômica, mas enriquece o quadro da vida pré-histórica imediatamente anterior à extinção em massa.
Estudos anteriores já apontavam diferenças anatômicas significativas
O estudo do hioide corrobora conclusões da pesquisa publicada em outubro deste ano. Aquele trabalho analisou outros ossos e estabeleceu registros de crescimento independentes. Os pesquisadores identificaram diferenças anatômicas consistentes entre fósseis de Nanotyrannus e Tyrannosaurus.
Juntos, os estudos fornecem evidências múltiplas e convergentes para a mesma conclusão. A comunidade paleontológica agora pode considerar o caso encerrado e aprofundar estudos sobre biologia e comportamento desse formidável dinossauro menor.
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