Da Redação
A campanha publicitária da Havaianas com a atriz Fernanda Torres reacendeu debates sobre posicionamento político de grandes empresas. Simultaneamente, veio à tona o envolvimento do CEO da Alpargatas no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável do governo Lula.
Quem comanda a Havaianas e qual seu papel institucional
Liel Marcio Cintra Miranda preside a Alpargatas, empresa detentora da marca Havaianas. O executivo construiu carreira em multinacionais de consumo. Decreto de maio de 2023 o nomeou conselheiro do CDESS, conforme registros no Diário Oficial da União.
Em junho de 2024, novo decreto oficializou sua saída do conselho. A dispensa ocorreu após Miranda deixar a presidência brasileira da Mondelez Internacional. Documentos oficiais não apontam relação entre sua saída e polêmicas posteriores.
A campanha que gerou interpretações políticas
O anúncio da Havaianas focava o início de ano, tema comum em publicidades de verão. Fernanda Torres afirmava não desejar que o público começasse o ano “com o pé direito”, preferindo “com os dois pés”.
Parte do público interpretou a mensagem como alusão ao espectro político de direita. Parlamentares criticaram e surgiram promessas de boicote nas redes sociais. A marca restringiu comentários no Instagram, amplificando ainda mais a repercussão.
Conselhão e relações institucionais
O CDESS reúne representantes da sociedade civil, empresas e entidades para aconselhar o governo em temas econômicos, sociais e ambientais. Trata-se de órgão consultivo com composição plural.
A participação do CEO da Havaianas no conselho não apresenta associação oficial com a controvérsia publicitária. Ambos os eventos são episódios distintos na trajetória do executivo e da marca.
Impacto da polarização na comunicação corporativa
O caso Havaianas demonstra como campanhas podem ganhar interpretações além da intenção original. Uma frase bem-humorada foi lida como recado político em ambiente altamente polarizado.
Para o mercado publicitário, o episódio reforça pontos de atenção na comunicação, especialmente em períodos eleitorais. Escolha de linguagem, calendário político, gestão de crise e imagem corporativa exigem planejamento estratégico.
Considerações para marcas em contextos polarizados
Expressões de duplo sentido podem ser politizadas em ambientes divididos ideologicamente. Campanhas próximas a anos eleitorais sofrem escrutínio mais rigoroso das redes sociais e da opinião pública.
Decisões de gestão de crise, como restringir comentários, precisam estratégia clara. O histórico de executivos pode ser reinterpretado pelo público em contextos de debate político.
Perguntas frequentes sobre o caso
O que é o Conselhão? O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável é órgão consultivo que reúne representantes de diversos setores para debater políticas de desenvolvimento.
Por que Miranda deixou o CDESS? O executivo foi dispensado em junho de 2024 após deixar a presidência brasileira da Mondelez Internacional, função que justificava sua presença.
A campanha foi classificada como política? Não existe classificação oficial da peça como campanha política. Interpretações políticas partiram de parte do público nas redes sociais.
Boicotes afetam financeiramente as marcas? O impacto varia conforme repercussão, duração do debate e resposta da empresa. Efeitos costumam ser mais visíveis na imagem que em dados imediatos de vendas.
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